Tecelândia, a loja de tecidos

No primeiro texto que enviei falei de meu pai e do Parque da Luz.
Ele trabalhava na Rua Ribeiro de Lima, no Bom Retiro, por isso passávamos pelo parque antes de chegar ao trabalho dele. Como eu tinha que ir ao médico todo mês ele me levava com ele para o trabalho, no dia da consulta no Sindicato dos Comerciários, no centro da cidade. Eu adorava ir com ele para andar de escada rolante, para comprar chocolate "Seresta" (tipo prestígio, chocolate recheado com côco) e para ficar no escritório da loja Tecelândia, onde ele trabalhou muitos anos. Era uma loja cumprida e era preciso passar meio aos dois balcões e as prateleiras forradas com os rolos de tecido para se chegar ao escritório. Lembro do barulho quando o vendedor desenrolava a peça para cortar o tecido.
Arrumavam uma mesa vazia para mim com lápis, papel para eu me distrair. Só trabalhavam homens e alguns vinham conversar comigo: o Felisberto, o Pinheiro – os que me vêm agora à memória.
O banheiro ficava nos fundos. Quando se abria a porta vinha o barulho da fábrica ao lado, mais o cheiro de marmelada que era o produto fabricado. Meu pai dizia que nem podia ver marmelada de tanto viver aquele cheiro.
Resolvi falar da Tecelândia na esperança que alguém conheça alguém que tenha trabalhado lá, como meu pai.
As memórias são várias. Dá vontade de ficar contando e contando, não é mesmo?

e-mail do autor: [email protected]