Atordoado desde "A grande noite", passo estes cinco dias matutando e lendo os textos de meus simpáticos colegas e de minhas queridas amigas, convencendo-me que, de fato, tudo aquilo aconteceu, não foi sonho e que posso redigir alguns conceitos a respeito sem perigo de ser tachado de inveterado sonhador.
Todos os grandes artistas, músicos, pintores, escritores, cientistas, atores e atrizes de cinema, teatro, rádio, televisão, futebolistas, jornalistas, literatos, políticos, bailarinas etc. de todas as épocas, em todos os países.
Os que morreram, estavam os vivos, estão, constantemente, envolvidos com sua popularidade em suas especialidades, junto aos fãs, seus maiores sustentáculos nas posições que conquistaram, através de suas artes, empenhos, habilidades, inteligências e constante trabalho.
Nós, postulantes a celebridade (sonhar é viver sem envelhecer), vez ou outra deparamo-nos, na janela de nossa existência, com vislumbres esmaecidos, meio apagados de objetivos tentados, nunca alcançados e nunca abandonados, que sempre se manifestam, sem perguntar se podemos, queremos ou desejamos ainda esperar… Esperar… Apenas nos acenam… "Estou aqui", continuamos a caminhar, na certeza de que um dia ela vai chegar…
Uma viagem que fiz a Edimburgo, Escócia, há 15 anos, para ver meu filho que lá estudava; coincidiu com o famoso festival da cidade e fomos a um concerto campal, numa grande praça com anfiteatro e com cobertura. Em dado momento, o maestro, terminando a música, falou alguma coisa em inglês e em seguida uma pessoa saiu da platéia e foi ao palco, pegou a batuta e pôs-se a tentar "reger", não sabia nada. Não entedia inglês, perguntei a meu filho o que o maestro tinha falado e o Moacyr disse que ele chamou quem queria "reger" a orquestra. Ahhh, – dei um berro pro meu filho – eu teria me saído melhor e estaria realizando meu sonho, desde criança de reger uma grande orquestra, e estreando logo com a Sinfônica de Edimburgo, sem conhecer uma nota musical, um sonho infantil, quase realizado. Outro dia, fiz uma coisa, impulsionado pelo mesmo sonho, ouvindo a "1812" e "Capricho Italiano", ambos de Tchaikowski, peguei uma varinha e pus-me a amaestrar as músicas que, de tanto ouvir, conheço todas as notas, movimentos e explosões. Meu neto ficou me olhando… sei lá o que pensou. Continuo sonhando, um dia vai acontecer…
E esse dia chegou.
Meio dia, dois de abril, com o Estadão na mão, vendo o Lopomo erguendo os braços em frente à Catedral da Sé, meu sonho estava a caminho da realização completa, o livro, finalmente e realmente, ia sair e íamos tê-lo em mãos. A festa na sala São Paulo ia ser um arrombo. Prefeito, artistas, shows, músicas e a expectativa de sair das platônicas amizades com nossos colegas, vê-los e confirmar que aqueles deuses e deusas são de carne e osso, existem de verdade, não são criaturas de nossa imaginação.
Toca o telefone, Myrtes atende:
– Modesto, tem uma moça que quer falar com você…
– Alô, é o senhor Modesto? Gostaria de entrevistá-lo a respeito do livro, sou da Globo. – (pegadinha do Faustão, pensei) – Estou saindo da casa da Neusa, que te indicou e já agendei com ela. Falta você.
– Pode vir, são doze e vinte, você vem agora?
– Eu quero uma entrevista no Brás, vou mandar te buscar.
– Peraí, querida, como é seu nome?
– Neide… Neide Duarte.
– Preciso me "produzir", vai dar tempo? Não vou perder o show?
– Não vai, não, a perua vai te apanhar às 14h.
O sonho está se concretizando… Espera um pouco, Modesto, alguma coisa vai acontecer e você vai acordar… Aparecer no SPTV, quem é você? 7 meses de site… Agasalhando algo que… Deixa pra lá, velho de merda, sempre com estas fantasias na cabeça, com essa idade, lembra quando você foi trabalhar no circo?…
13h45, uma perua, sem o logo da Globo… Myrtes:
– Modesto, não vai, esse carro não é da Globo, não tem desenho na porta, é seqüestro.
O motorista, Zé Maria, mostrou os documentos, riu e aprovou o cuidado.
Encontrei a Neide, que gentilmente completou seu trabalho.
Eu quis saber se na hora do SPTV, 7 da noite, ia sair a entrevista.
– Não – disse ela – vai ser no Jornal Nacional, 8h10, e você não vai poder ver, telefona pra alguém gravar.
8:45 da noite, salão nobre da Sala São Paulo, conhecendo quase todos os colaboradores, ouvi, de repente, a Bernadete, em alto e bom… Não, não… Bom não… Ótimo tom, dizer, com o celular na mão: minha filha, no Rio viu a entrevista da Neusa e do Modesto. Belisquei-me, estou acordado. Pus à prova minha resistência cardíaca.
Minha gente, peço perdão, mas devo registrar estes detalhes pois a comemoração, detalhada e muitíssimo bem exposta pelos meus companheiros e companheiras, foi um acontecimento inesquecível em todos os aspectos, esplendoroso, radiante, inimaginável, impecável.
De parabéns, todos e todas, fizeram um trabalho imaculado. Clara, Tatiana e toda a equipe que esteve em ação, os frutos são méritos, principalmente de Caio Luiz de Carvalho, presidente da São Paulo Turismo.
E vamos continuar a sonhar. Uma noite é só… uma noite.
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