Lendo histórias apresentadas aqui sobre bondes, resolvi contar uma versão real a qual vivi na década de 1960. Costumava frequentar o bairro de Indianópolis, mais precisamente a Alameda dos Maracatins, onde existia um clube de nome União. Lá dançávamos praticamente todos os fins de semana (eu e meus colegas e amigos), quando num destes fins de semana, no baile das 22h00 às 04h00 da manhã, conheci uma garota de nome Darcy, que por sinal dançava muito mesmo. Paquerei a garota por muito tempo, quando tomei coragem de tirá-la pra dançar e dançamos quase que a noite inteira.
No final da noite resolvi acompanhá-la até sua casa, pegamos o bonde no bairro de Indianópolis e seguimos até o Largo São Sebastião, em Santo Amaro (final da linha). A garota residia em uma rua meio escura nas imediações do Largo São Sebastião. Paramos no meio fio da calçada, próximo da sua residência, para bater um papinho e, logicamente, dar uns beijinhos.
Porém aconteceu algo naquele momento que não esqueci mais em minha vida. Quando eu estava praticamente tendo a garota em meus braços e a beijando, a mesma ficou como uma estátua (quase que petrificada), então fiquei preocupado e a chamava pelo nome, porém ela não respondia, comecei a ficar assustado, quando olhei para o começo da rua e vi um cara descendo, e consequentemente ela também olhava na mesma direção e para o sujeito também. Senti um arrepio quando ele passou por trás de nós e sempre olhando para ela, e a mesma para ele.
Foi quando percebi que o cara não tinha pés, somente aparecia a boca da calça. Fiquei assustado, sem saber o que fazer, quando ela recobrou-se e disse que aquele camarada tinha sido seu namorado, e que o mesmo, há algum tempo, tinha sofrido um acidente de carro na serra de Santos e veio a falecer.
Cara, naquele momento eu saí em uma carreira fora do normal, e por incrível que pareça eu consegui alcançar o último bonde que tinha acabado de sair do Largo São Sebastião, corri tanto que o alcancei no Largo 13 de Maio.
Passei mais de uma semana assombrado, não conseguia nem dormir.
Mas quero dizer que mesmo assim não deixei de andar de bonde, o melhor transporte que já usei.
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