Ele chegou da Itália, vindo da Calábria e no mesmo navio veio ela, Francesca, vinda de Nápoles, ambos jovens e como todos vieram de navio e chegando ao porto de Santos foram enviados para uma fazenda no interior de São Paulo. Ele, Giuseppe Imperial, meu avô, lá chegando foi se instalar com os outros colonos para trabalhar na plantação de café e assim se aproximou da família dela, minha avó Francesca. Eram jovens e ele se interessou pela irmã dela, mas que já estava prometida para outro italiano e meu avô, decepcionado, foi desabafar com minha avó que ficou escutando toda aquela ladainha e foi daí que se entenderam e se apaixonaram.
A vida lá era muito sofrida, péssimos alojamentos, pouca alimentação e muito trabalho. Meu avô, então, propôs casamento para a jovem que logo aceitou e lá casaram com direito a muita música (meu avô tocava sanfona), muita comida combinada com todos os colonos da fazenda e lá se foram os dois para São Paulo, direto para um cortiço, habitações comuns nessa época. Meu avô começou a fabricar cadeiras de palha e as vendia pelas ruas, ele também trabalhava para a Light acendendo e apagando os lampiões das ruas e avenidas e minha avó, que quando ainda estava na Itália aprendeu pont ajour, técnica de costura muito usual na época e aqui, continuou nesse trabalho.
Tiveram 17 filhos sendo minha mãe a mais nova de todos, a raspa do tacho, e dessa forma com muita luta e trabalho os dois conseguiram formar uma família honesta, íntegra e muito batalhadora.
Conforme as crianças iam crescendo, uns sete e oito anos, iam ajudar meu avô a vender as cadeiras e as meninas já sentavam para aprender o ofício da minha avó.
Meu relato é para dizer que, apesar de pobres, ninguém saiu da linha, isto é, roubando, matando, pelo contrário, a pobreza não justifica isso.
Meu orgulho e meu agradecimento a eles, Família Imperial, que ajudaram a construir nossa cidade; e meus tios contavam que na Av. Liberdade, onde moraram, tinham acontecimentos diariamente, como, por exemplo, os donos de lojas vizinhas ao final do dia deixavam as chaves na Guarda Civil que também ficava lá e no dia seguinte iam buscá-las para um novo dia de trabalho; tinha manobras dos jovens recrutas em plena avenida; tinha também patinadores que treinavam lá.