Uma declaração de amor

Ah, minha São Paulo amada!
Quatrocentona continuas desvairada.
És a São Paulo de Mário, de Oswald.
És Tarsila e também Anita.
És Maria, a gari, João, o padeiro.
Na precisão urgente,
tens também o pedreiro
Tens, a qualquer hora, o eletricista,
para que não falte luz na pista
No portão de casa, aos gritos, aquele de bigode farto e grandalhão,
anuncia, para todos ouvirem:
– “É o homem do gás. Vai botijão?”

Ah, minha louca e apaixonante!
Dos mais simples, gente que gosto, a saborosa cerveja
Dos chatos mais refinados, à francesa,
Tens também espumante.

Ah, minha eterna adolescente!
Não tens culpa pelos políticos que mentem,
se não cuidam de ti com carinho e esmero
Tens aqui da mistura de gente, até do mundo afora,
a melhor comida e os mais variados temperos.

És uma lindeza só!
Sou suspeito por tamanha declaração.
Garanto que não é passageira não
É feita com todo o amor,
que brota do coração.

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