Era 1964 a rua ainda era de terra, poucos carros passavam por ali e o dia era 31/12. Os amigos foram chegando (a pé, pois ninguém tinha carro) cada um trazendo um prato diferente, tudo feito com carinho e aquelas mãos de fada das "mamas" de antigamente cozinhavam soberbamente. <br><br>Não havia microondas, molhos prontos, carnes congeladas: tudo era fresquinho, tinha até aquelas que matavam o frango na hora (que crueldade), mas era assim e sorte delas que ainda não se falava em defesa dos animais, senão…<br><br>Minha prima dizia que a minha tia parecia uma bruxa quando matava os frangos, tamanho o prazer em matar, pudera naquela época era raro comprar essas aves, então quando podia era a festa das "bruxas". Bem naquele final de ano nossos amigos vieram cear conosco e foi aquela farra: as mamas trazendo deliciosos quitutes, os homens com uma cervejinha na mão, e as crianças ansiosas para brincar enquanto não chegava à meia noite.<br><br>A mesa foi ficando cheia, toalha com motivos natalinos, minha mãe comprou um castiçal e taças de vidro (não de cristal, é claro) e quando chegou a hora e atacarmos a comida, nosso amigo ‘Seu’ Lucas, aquele que puxava a procissão da Igreja da Saúde, decidiu cantar a música: “Feliz Ano Novo, adeus Ano Velho…”. E de repente os armários de parede (da Fiel) caíram sobre a mesa, quebrando tudo o que tinha dentro e fora dos armários. <br><br>Imaginamos que foi a voz dele, que era muito forte e alta, a causadora de tamanho estrago. E a cara dele, coitado, com tão boa intenção! As mamas só não choraram porque não podiam, tinham que pensar rápido em uma solução e a única coisa que ficou fora foi um panelão de arroz. Correria para fritar ovos, as crianças chorando por conta do susto que levaram e os homens tentando ajudar e atrapalhando ainda mais.<br><br>Conclusão: arroz, ovos fritos e muita risada depois.<br><br>Um feliz Ano Novo á todos.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>