Uma Cidade a dançar

Ah, minha São Paulo, se todas fossem no Mundo iguais a Você! Uma Cidade a cantar, a sorrir e a viver a beleza de amar e dançar, e dançar, e dançar… – Artes gêmeas, elas nasceram como forma de se pedir graças e de agradecê-las; de se buscar, encontrar e compartilhar alegria, Felicidade. Elas, de quem falamos, são as artes de cantar e dançar. Com a primeira delas o Homem desenvolveu uma forma alegre de manifestar seus sentimentos. Com a segunda ele aprendeu a materializar suas alegrias, dando-lhes movimento. – Já se dançou para os deuses, já se dançou para a guerra. A dança já se fez divina, já se fez pagã e assim foi se inscrevendo em todos os capítulos da história do Homem. Ontem, hoje e sem dúvida sempre, o Homem encontrará na dança uma forma de expressar Felicidade. Mas por que todo esse intróito? Porque hoje eu lhe convido a vir comigo: nós vamos dançar. E como! Não no sentido que este verbo adquiriu há poucos anos, quando conjugado entre aspas. Nós vamos dançar no sentido estrito da expressão. Vamos bailar, para extravasarmos nossa alegria. – São Paulo, uma Cidade a dançar, a dançar, a dançar… E não podia ser diferente: aqui, nos anos cinqüenta, onde convido Você a mergulhar comigo, passageiros dessa cápsula do tempo que nos abre a porta, não há bairro que não possua seus Clubes, e não há destes que não promovam bailes a cada fim de semana. Matinês, soirées, festas… Vários nomes para um mesmo evento: baile. Além dos Clubes dança-se também em "bailinhos", reuniões caseiras em endereços que se alternam num ciclo mais ou menos organizado por grupos de amigos. Um território onde imperam a vitrola, os LPs e o cuba-libre. Quatro às sete, pouco mais, início da noite. Hora de a casa voltar a ser Lar. Diversão familiar! – Há também a gala dos bailes de formatura, cerimoniosos, ocasião de se apresentar à Sociedade um seleto grupo de vencedores que atingiram o objetivo e agora se anunciam prontos para enfrentar o futuro. Uma vitória festejada pela Família e compartilhada com os melhores amigos num grande baile. E baile de formatura que se preze tem que ter por cenário um majestoso salão, circundado de espelhos e com a luz fluindo por entre cristais de imensos lustres. E ali, num grande palco, nunca menos de duas a três dezenas de músicos. E não basta ser orquestra, tem que ser "griffe", ou seja, seu regente tem que ser Erlon Chaves, Osmar Milani, Sylvio Mazzuca ou, se além de um grande baile for importante um show, Enrico Simonetti! – Como alguns dos tradicionais salões promovem matinês e soirées dançantes nos finais de semana e também por uma tradição cuja origem desconheço, esses bailes de formatura ocorrem sempre em dias úteis, preferencialmente terças e quartas-feiras. Dez da noite às quatro da madrugada de um dia em que se haverá de trabalhar, estudar… Que fazer? Pervintin, Namuron ou coca-cola com café! Se a opção for por comprimido, apenas um, no máximo dois: pode viciar. Mas não para por aí, não. O paulistano ainda dança nas gafieiras, nos táxi-dancers, nos nigth-clubs… Realmente São Paulo não pode parar… de dançar! Sim, não se estaria fugindo à realidade se assim se complementasse o slogan que tão bem identifica nossa Cidade. E seu Centro Histórico muito bem exemplifica isso. Vamos confirmar? Então venha comigo! Só que, pela extensão já ocupada, tem que ficar para amanhã. Até lá, então, e se prepare: há muito para se ver e para se dançar!