Um vão misterioso na Praça Castro Alves

Lá pelo final da década de 50, nas imediações da Praça Castro Alves, ainda havia dois casarões, daqueles típicos de cafeicultores da aristocracia da Avenida Paulista. Os casarões eram separados apenas por um vão escuro que me angustiava por ser um enorme mistério: a que lugar levava aquele vão? O que separava aqueles dois casarões?

Ouvi as mais diferentes histórias. Escutei até que uma das famílias escondia fugitivos da guerra lá. Mas finalmente descobri a verdade: no fundo do vão, atrás de um limoeiro, escondia-se o primeiro bar de lésbicas de São Paulo: o "Sappho de Lesbos".

Nenhum mistério, nenhum fugitivo de guerra, apenas o refúgio de um grupo que hoje não precisaria mais se esconder, mas que, certamente, adoraria a sombra de um limoeiro que a cidade não iria esconder por muito tempo.

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