Dia das crianças: ontem e hoje

E mais um dia das crianças se passou. Apesar da crise, as lojas de brinquedos se encheram. Mães desesperadas driblavam os olhares dos filhos que se dirigiam aos brinquedos mais caros e, na grande maioria, essas mães traziam consigo as lembranças das brincadeiras que faziam em sua infância e que nada, ou quase nada, custavam aos seus pais.<br><br>Tão fortes eram as sensações vividas pelas crianças do passado que até o cheiro da grama que havia nos campinhos de futebol ficou gravado em suas mentes, como um caminho de retorno àqueles tempos felizes.<br><br>Eu, por exemplo, em cada contato direto que tenho com a natureza, o cheiro do mato me transporta aos tempos de criança, quando eu rolava pela grama, aguardando o dono da bola de capotão chegar, para dar início às alegres "peladas" junto com a molecada.<br><br>Às vezes, as brincadeiras variavam entre a chamada "bate-lata", "mãe da mula" e "pegador", sem contar com as brincadeiras de "mocinho e bandido", cujo inspirador era o herói daqueles tempos, "Gerônimo, o Justiceiro do Sertão", seu cavalo Corisco e seu amigo, Juquinha. Isto, na verdade, era uma rádio-novela apresentada diariamente em seriado, dentro do programa "Terra, Sempre Terra" da Rádio Piratininga de São Paulo, por volta das 18h, logo após a "Ave Maria".<br><br>Lembro-me, ainda, do Pedro Luiz, hoje conceituado cirurgião-dentista da Vila Iza, dirigindo tampas de panelas, como se estivesse em um Ford 51 ou num outro carrão qualquer que lhe viesse à cabeça.<br><br>Às tardes, enquanto as mulheres choravam ouvindo o programa "Os Milagres da Fé", da Rádio São Paulo, as meninas se distraiam brincando de casinha com suas bonecas de louça. Isso quando não pulavam amarelinha ou brincavam de passa-anel.<br><br>Mas eu gostava era de apreciar o rebolado das meninas quando cantávamos "Rebola-bola, você diz que dá e dá, você diz que dá na bola, mas na bola você não dá…".<br><br>Talvez seja por essas pequenas coisas que o meu conceito de beleza do mundo resida na simplicidade da vida. Hoje, as crianças, embora intelectualmente muito mais desenvolvidas, têm como maior diversão estar entre quatro paredes, com olhos fixados em telas de computadores e televisões, ou brincando com jogos de guerra de última geração, ou assistindo a filmes que, quando não fazem apologia a crimes, o fazem pelo sexo.<br><br>Não sei se o passado era melhor, mas ninguém me tira a certeza de que o desenvolvimento da personalidade de uma criança, pautado no amor e na honestidade tem muito mais afinidade com a simplicidade do passado do que com a tecnologia de hoje e do futuro.<br><br>E-mail: [email protected]