Há anos moro fora de São Paulo, mas em minhas recordações estão os dias de minha infância e adolescência passados na cidade, na Barra Funda.
Nasci na Rua Barra Funda, onde o meu avô tinha um negócio de Secos e Molhados, perto da estação de trem da Barra Funda, num sobrado, onde o meu pai trabalhava também. O armazém era em baixo e morávamos encima.
Meu avô engarrafava um vinho com seu rótulo, muito vendido. O vinho saia de um grande barril de madeira. Até hoje posso sentir o cheiro do vinho misturado ao cheiro da madeira. Meu avô às vezes permitia que molhássemos o pão no vinho, ou então nos servia vinho com água e açúcar. Anos mais tarde, soube por um amigo, que quando era pequeno, indo com seu pai comprar vinho, se aproveitou da distração dos mais velhos e tomou vinho direto da torneirinha do barril, saindo muito tonto, e com medo que o pai percebesse.
Fiz o primário no Grupo Escolar Dom Pedro II, próximo ao largo Padre Péricles. Fazia o caminho a pé, levada pelo meu pai ou minha mãe. No caminho para a escola atravessava a Avenida Pacaembu e subia pela Rua Marta até o portão. Tenho vontade até hoje de voltar a ver meu antigo grupo escolar, que tinha um lindo jardim, onde havia muitas amoreiras com casulos do bicho da seda. Comecei a estudar no térreo, pois o prédio tinha um segundo andar onde estudavam os mais velhos, do terceiro e quarto anos, e a minha ansiedade era estudar lá em cima, subindo a linda escadaria de madeira. Era no pátio que brincávamos no recreio, e onde faziam as festas de São João. Havia também um teatro onde apresentávamos danças e cantos no palco e onde havia o orfeão, aulas de canto e música.
Tenho muitas saudades de minhas professoras Dona Laurita da pré-escola e Dona Cecília do primeiro ano, que se tornaram amigas de meus pais.
E-mail: [email protected]