Um paraíso chamado "casa de avó"

A casa da minha avó Ana ficava em um enorme terreno entre a Rua Tomazo Ferrara e Rua D (hoje, Salim Jorge Id), na Vila Corberi, ou Morro do Querosene para alguns como eu.

Era uma casa de cinco cômodos, construída com tijolos de barro e em meio a um grande terreno cheio de árvores frutíferas de várias espécies como caqui, pera, ameixas, goiabas, mangas, cana, banana, e uma fruta que poucos hoje conhecem chamada araçá. No quintal, como em todas as casas, havia um poço onde, após o almoço, eu adorava tirar um balde de água fresca, que era saboreada em uma caneca de alumínio.

A casa simples era mobiliada por móveis antigos de madeira pura, como a mesa da sala onde eu e meu primo Silvio riscávamos com giz, fazendo um campo para jogar futebol de botão. Na sala havia uma cristaleira com várias peças de cristal e porcelana, que eu não me lembro de ver sendo usadas. Em um dos quartos ficava o altar de Nossa Senhora Aparecida e outros santos. De vez em quando, o andor da procissão, assim como a imagem, ficava na casa, o que era motivo de grande alegria e fé.

Todos os móveis eram escuros e cheiravam a óleo de peroba. E em um rádio, de válvulas de madeira amarela, Chico Buarque cantava, "Apesar de você".

Estas recordações estão há muito no tempo, mas vão permanecer para sempre na memória e no coração. Saudade de uma casa que não mais existe, mas que nunca será esquecida.

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