Os jovens paulistanos de hoje pisam em lugares da cidade que nem imaginam como eram há 30, 40 anos. Um espaço temporal não tão remoto assim.
Qual deles imaginaria que sob a parte plana do Jardim França havia pântanos, poços profundos, pé de palmitos e até um campo de futebol? Muitas vezes sair das aulas do Colégio Albino César, no bairro da Vila Mazzei, ainda na esquina da Av. Tucuruvi com a dita avenida, no final da década de 1960 e começo dos anos 1970.
Quem se lembra que a grande maioria dos morros irregulares que hoje formam as Palmas do Tremembé, o antigo Morro do Ademar, eram de terra seca? E isto já desde a Av. Nova Cantareira até lá embaixo na Sezefredo Fagundes em direção à Nova Cachoeirinha, vindo somente a receber asfalto a partir de 1967.
Um viajante daquela época, transportado aos dias de hoje, certamente teria dificuldade de reconhecer a região da Avenida Maria Amália, sem nem ao menos um edifício, para variar só ruas de terra batida naquela região, e mato, em meio às casas. Situação esta que começou a se transformar radicalmente a partir de 1980.
A transformação da Vila Guilherme, onde passei toda a minha adolescência e começo de vida adulta, foi também radical. Hoje está tomada por muitos edifícios de alto padrão, construídos sobre terrenos que outrora, abrigaram mansões do mesmo caráter e estilo daquelas ainda hoje existentes nos Jardins América e Paulistano.
Mas o que eu quero dizer é que somente a partir de 1985 começou pra valer ali as construções verticais que até então rareavam no quadrilátero das Ruas Casa Forte, Altinópolis, Ismael Nery e Vaz Muniz.
Este bairro contava com inúmeros cinemas que se diferenciavam entre si, entre eles: O Cine Valparaíso, localizados na Avenida Tucuruvi, que expunha no seu saguão as fotos de muitos ícones do mundo cinematográfico, montadas em quadros de grandes molduras; o Cine Vera, de pequena entrada, mas com decoração primorosa, com motivos arquitetônicos do Brasil Colonial.
Diga-se de passagem, que bairro delicioso e tranqüilo era a Vila Paulicéia, que tempos maravilhosos não tão remotos assim, que saudades…
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