Um monumento para São Paulo

O Cristo redentor, considerado uma das grandes maravilhas do mundo, um dos mais belos cartões postais do Brasil e da humanidade, de braços abertos, está abençoando do alto do corcovado toda a cidade do Rio de Janeiro. E São Paulo, a capital do estado mais pujante e rica do Brasil deveria ter também, o seu símbolo de referência, uma estátua de São Paulo, o apóstolo, construída no ponto mais alto da cidade, exatamente no Senhor dos Vales, nos altos do Jaraguá, no Parque Estadual da Cantareira.

Não sei se há viabilidade técnica para tal projeto, porém, a cidade de São Paulo ficaria honrada por ter uma escultura de grande magnificência esculpida em pedra, de uma altura considerável e que pudesse ser vista de todos os ângulos da cidade e da entrada de nosso interior civilizado, em um ato de gratidão do povo paulista e paulistano em homenagem a nossa querida cidade de São Paulo.

A escolha do nome da cidade de São Paulo foi depois da chegada, no dia 24 de Janeiro, de um grupo de jesuítas no Dia de Reis, depois que o grupo, chefiado pelo padre Manoel da Nóbrega subiu a serra de Paranapiacaba, juntamente com o beato José de Anchieta em direção a Santo André da Borda do Campo, diretamente para a casa de João Ramalho, após 18 dias de uma exaustiva jornada de caminhadas.

No dia seguinte, 25 de Janeiro, de 1554 tomaram o caminho de Piratininga em busca de um local para a fundação do colégio dos Jesuítas. Reunidos em torno de uma cabana construída pelo cacique Tibiriçá, que do ponto de vista de segurança a localização topográfica era perfeita, cercada por dois rios o Tamanduateí e o Anhangabaú, escolheram uma colina chamada de Inhapuambuçu, sobre o Vale do Anhangabaú, e lá construíram um barracão que viria a funcionar como uma escola de catequese. E ainda na manhã de 25 de Janeiro de 1554, Manoel de Paiva, que viria a ser o primeiro diretor do colégio, celebra assistido por José de Anchieta a missa campal que marca o início do funcionamento do Real Colégio de Piratininga.

O nome São Paulo foi escolhido porque o dia de sua fundação em 25 de Janeiro do ano do senhor a Igreja Católica celebra a conversão do apóstolo Paulo de Tarso, conforme as informações prestadas pelo padre José de Anchieta em carta aos seus superiores da Companhia de Jesus.
"A 25 de Janeiro do ano de 1554 em paupérrima e estreitíssima casinha de pau-a-pique, cujas paredes eram feitas com uma armação de paus e cipós preenchida de barro socado, desprovida do mínimo conforto abrigava também um seminário e uma escola e lá dentro dessa humilde casa foi celebrada a primeira missa, exatamente no dia da conversão do Apóstolo São Paulo e por isso dedicamos o seu nome a nossa simples casa."

Nela José de Anchieta, um fervoroso apóstolo de Cristo, iniciou o seu trabalho como educador dos nativos, mais conhecido como catequese. Falar sobre o pátio do colégio é relembrar as origens de São Paulo, hoje considerada a terceira maior cidade do mundo e cujas marcas estão claramente fixadas no encontro de todas as raças aqui presentes e na expansão do cristianismo.
A biografia de Paulo de Tarso explica o surgimento e a homenagem a esse ilustre personagem que emprestou o seu nome a uma das mais belas e pujantes cidades do Brasil. Paulo nasceu em Tarso, era judeu e cidadão romano. A princípio era perseguidor das primeiras comunidades cristãs, sendo conivente com o assassinato do pró-mártir Estevão. Quando perseguia os cristãos a caminho de Damasco, apareceu-lhe Jesus Ressuscitado transformando-o. Desde então, a sua vida foi viajar pelo mundo pregando o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e o ministério de sua paixão, morte e ressurreição. A sua conversão é um dos mais importantes acontecimentos da história da igreja, onde o apóstolo Paulo de Tarso, por excelência, tomou parte na evangelização dos povos pagãos. Mas, Deus que conhecia a sua retidão tornou-o testemunha da morte de Santo Estevão, uma cena entre todas muito comovente, descrita nos atos dos apóstolos.

Paulo percorreu a Ásia Menor, atravessou todo o Mediterrâneo e elaborou uma teologia cristã ao lado do Evangelho nas suas epístolas, sendo a raiz da fonte de todo o pensamento da vida mística e cristã. Foi ele Paulo, que o fez de maneira insuperável todo esse dogma do cristianismo. O apóstolo Paulo sofreu o martírio em Roma presumivelmente em 25 de Janeiro, data da comemoração desse infausto acontecimento. E em homenagem a esse fato foi a nossa cidade batizada com o nome desse extraordinário santo apóstolo.

Entre 1932 e 1953, o então Palácio do Governo é transformado na Secretária da Educação o que, de certa forma, dá ao edifício uma função mais próxima de sua vocação original. Finalmente, no ano de 1954, marca da retomada do projeto original à Companhia de Jesus, recebe de volta as instalações e dá-se o início à reconstituição do Colégio, nos moldes da terceira construção, permanecendo remanescente à Cripta, a parte de uma parede em taipa de pilão socado e o antigo torreão. Hoje, quem visita o complexo Pátio do Colégio encontra o museu Padre Anchieta, o auditório Manoel de Nóbrega, onde são realizados eventos culturais, a Galeria Tenerife, a Praça Ilhas Canárias com seu café do Pátio, a Capela do beato José de Anchieta, onde estão guardados o fêmur e seu manto, a Cripta Tibiriçá e a biblioteca. Parabéns São Paulo por mais um aniversário!

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