A fuligem era terrível, bastava deixar qualquer objeto descoberto que rapidamente estava coberto pela poeira negra. Além da fuligem, o cheiro característico do gasômetro predominava no ambiente (e diziam fazer bem aos pulmões).
Os bondes, depois de subir o viaduto, entravam na Rua Vasco da Gama e a Rua do Gasômetro, com sua largura avantajada e frondosas árvores em seu canteiro central, transformavam-se em uma verdadeira passarela para os ônibus e demais veículos.
Na esquina com a Rua da Alfândega sempre havia uma espécie de banca de feira móvel, muito parecida com uma carroça, onde, de acordo com a época do ano, eram vendidas batatas doces assadas ou abacaxis cortados e geladinhos. E como se vendiam abacaxis! Nos finais dos dias podia se ver a montanha de cascas descartadas.
No outro lado da rua ficava a Cantina Ballila, cuja frequência no final dos anos cinqüenta era maior de executivos do que de funcionários comuns com menor poder aquisitivo. Obs: Essa cantina até há pouco temp,o ainda permanecia com a mesma razão social e no mesmo endereço.
Para os operários e a população menos favorecida da região, bastava caminhar o primeiro quarteirão da Rua Monsenhor Anacleto, entrar à direita na Rua Maria Domitila que encontrava o SAPS. Ali era fornecida uma boa refeição básica, com direito a um copo de leite e sobremesa, pelo preço de um cruzeiro. Até os passes da CMTC eram aceitos.
Os veículos da época eram todos importados, mas não faltavam peças de reposição para nenhum deles. Caso não fosse encontrada a peça nova bastava dar um pulinho até a Rua Piratininga (entre a Rangel Pestana e Rua da Mooca) e com certeza encontraria uma usada, hoje denominada semi-nova ou re-manufaturada. Se o veiculo fosse muito raro ou por qualquer motivo não fosse encontrada a peça para o conserto, os mecânicos que predominavam na região das Ruas Caetano Pinto e Carneiro Leão faziam adaptações incríveis usando peças de outras marcas e modelos. Era comum se ver, por exemplo, uma Hudson ou Buick trafegando com um cambio ou diferencial de Chevrolet.
Neste minúsculo espaço do gigantesco Brás podíamos encontrar de tudo, desde um quilo de cebolas a uma sofisticada bomba injetora importada pela Robert Bosch do Brasil cujo representante ficava no número duzentos e sessenta e cinco da Rua do Gasômetro.
Hoje a fuligem ainda persiste, o cheiro do gasômetro foi substituído pelo de monóxido de carbono dos veículos e o comercio predominante é o de: madeira compensada, janelas, portas, fechaduras, dobradiças e afins.
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