O dia em que dei uma cambalhota…

Todos os dias, pela manhã (quando não chove), saio para andar. Ando uns sete ou oito km. Saio da minha rua, entro na Roque Petroni, viro na Chucri Zaidan, continuo pela Luis Carlos Berrini, entro na Padre Antônio José dos Santos, viro na Avenida Portugal e vou até a Avenida Morumbi. Aí faltam três quarteirões para chegar em casa.

Em um dia qualquer do mês de março, preparei-me para sair. Pus bermuda, camiseta sem manga, tênis e sai para caminhar com minha filha, pelo trajeto que descrevi.

Quando estávamos pelo meio do caminho, na Padre Antônio José dos Santos, ao atravessarmos uma rua, acredito que tropecei ao subir a calçada. O natural seria cair de joelho, mas comigo tudo acontece diferente… Não sei como, sem impulso, dei uma cambalhota no ar pela primeira vez na vida (uma cambalhota perfeita – tanto é que dei com a cabeça na sarjeta e o corpo na calçada – no sentido contrário ao que estávamos indo).

Em estado de perplexidade experimento as sensações no ar… flutuo… penso em estar voando e sinto a necessidade de dobrar as pernas como que para dar impulso. Tudo dura um segundo ou dois, quem sabe!

Sei que estou deitada no chão, mas não me movo. Das sensações que tive vêm o espanto… Maior ainda, o espanto no olhar das pessoas que me rodeiam… Estava andando e estou em repouso… Estava voando neste mundo e fora dele… Podia ter me desconectado e me deixado levar… Podia…

Quero levantar… Ver e ser… Integrar-me novamente ao todo, onde tudo é possível!

Levanto-me sem ajuda. Perguntam-me se estou machucada, se estou bem! Olho espantada para meu corpo, braços e pernas, não estou machucada, nem um arranhão, nem mesmo a dor se faz presente na cabeça que bateu na sarjeta quando cai como um pedaço de pau, estatelada no chão.

Agradeço a preocupação de todos, recuso uma carona e saio andando com a minha filha, agora um pouco apressada, afinal ainda estamos no meio do caminho… E estamos atrasadas!

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