Um gigante chamado Hospital das Clínicas

Esta cidade de São Paulo está repleta de belos monumentos, mas raramente nos lembramos deste monumento chamado Hospital das Clínicas; talvez pelo fato de ele ser tão presente em nosso cotidiano, qual uma mãe, que sabemos estar sempre de braços abertos para seus filhos.

Quando eu era criança o Ademar de Barros não nos deixava esquecê-lo e nem à Via Anchieta. Sua oratória, nos palanques, começava sempre lembrando à população seus maiores feitos: "Eu fiz o Hospital das Clínicas. Eu fiz a Via Anchieta".

Somente agora que estou utilizando seus serviços, por força de doença grave de meu marido é que o estou conhecendo por dentro, em seus vários ambulatórios e institutos. Que missão, este complexo hospitalar, o maior da América Latina, desenvolve dentro de suas paredes! São absolutamente chocantes as cenas com as quais nos deparamos ali, todos os dias. Enfermidades gravíssimas! Raras! Quer em adultos, idosos, como em crianças, e estas são as mais chocantes, pela fragilidade das faixas etárias, onde se incluem bebês, pelo empenho de mães e pais, mas especialmente de mães e avós, incansáveis na busca, senão da cura, mas de uma melhor qualidade de vida para seus filhos.

O complexo é uma cidade e seu orçamento, com certeza, é maior do que o de muitas cidades do Brasil! Fico olhando para aquilo tudo e começo imaginando o quanto dinheiro é necessário para a manutenção dos edifícios, suas salas de cirurgias e de atendimentos variados, seus leitos e UTIs, medicação, pesquisas, médicos e médicas, enfermeiros e enfermeiras, auxiliares administrativos, paramédicos e paramédicas, técnicos que operam os mais diferentes equipamentos de exames, enfim, tanta coisa que nossos olhos não alcançam e por isso desconhecem.

Acho que deveria ser obrigatório aos nossos políticos, todos, sem exceção, fazerem um estágio naquele nosocômio, uma vez por ano. Eu não sei se diante de tanta dor, de tanta tragédia, desgraça e tristeza eles, ainda assim, teriam a coragem de roubar descaradamente o dinheiro do erário público, como o fazem.

Tudo isso é operado e conduzido pela Faculdade de Medicina da USP, através de seus médicos e residentes, bem como de sua Faculdade de Enfermagem. Seu corpo de voluntários também possui números astronômicos.

A obra deste complexo foi iniciada em 1939, por Ademar de Barros e inaugurada em 1944. Ele é considerado, hoje, um dos mais importantes pólos brasileiros de disseminação de informações técnico-científicas, centro de referência no campo do ensino, da pesquisa e da assistência médica.

Vale dizer que o Hospital das Clínicas de São Paulo atende pacientes de todo o Brasil e também da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Guianas e outros, que para ali acorrem em busca de tratamentos, transplantes e cirurgias de casos graves e raros, os mais diferenciados.

Ao ser inaugurado, o Hospital das Clínicas tinha apenas o Instituto Central, que leva o nome de Ademar de Barros e simboliza o início desse gigantesco complexo. Lá, além das clínicas especializadas, está localizado o Pronto Socorro, considerado Unidade de Emergência Referenciada, que presta atendimento a casos de alta complexidade.
Sua área construída atual é de 378.545,32 m2 e conta com 2.000 leitos e 15.000 profissionais das mais diferentes profissões. É formado por sete Institutos – da Criança, do Coração, etc. – dois hospitais auxiliares, Laboratórios de Investigação Médica, Unidades Especializadas e áreas de apoio como o Prédio da Administração e anexos – Centro de Convenções Rebouças e Escola de Educação Permanente. O número de ambulâncias, ônibus e vans, vindas dos vários municípios de São Paulo e da Grande São Paulo, que por ali circulam todos os dias, demonstram a necessidade e confiança que o povo deposita nos seus serviços.

Amigos, este é o Complexo do qual São Paulo mais deve ter orgulho! Aos Prefeitos e Governadores, peço que não lhes negue a tão necessária verba, para mantê-lo em bom funcionamento. Agradeço o atendimento que estamos recebendo e só posso pedir a Deus que proteja e abençoe a todos os abnegados que ali desenvolvem seu trabalho.

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