Um casamento inesquecível

O bairro era Vila Mariana, a Rua Luiz Góis; o ano 1964; os participantes eram colegas da oficina que eu trabalhava, uma turma de quinze colegas da melhor qualidade, e um deles o Sergio que ia se casar. Foi o casamento mais divulgado e comentado mesmo faltando trinta dias. Tanto o noivo como a noiva moravam na Vila Gumercindo, um bairro próximo da Vila Mariana, onde ficava a firma que trabalhávamos. De onde estávamos, era só pegar a Rua Caramuru e pronto, já estávamos no local do evento.

Esse casamento deu o que falar tanto antes, como depois de realizado. Uma colega de trabalho organizou uma lista para comprar um presente e pediu para passar para o pessoal dar o dinheiro. Depois de arrecadado a quantia, fomos para as várias lojas perguntar o preço para ver se dava para comprarmos o presente com o dinheiro arrecadado. Era um tal de entrar numa loja perguntar o preço e sair a procura de outro melhor. Até ai nada de mais, pechinchar é coisa normal do brasileiro, o ruim da coisa é que todos os assinantes iam às lojas, o que acabava virando uma tremenda zona. Até que acabamos comprando um presente que não foi do agrado de duas colegas de trabalho que acharam o presente “chinfrim”.

Uma semana antes do casamento o colega que ia se casar convidou a turma para jantar na casa dele, dizendo que sua mãe ia fazer uma super janta. Enquanto o jantar não ficasse pronto íamos jogar baralho. Jantamos e depois do “bucho cheio” voltamos ao jogo que varou a madrugada, só sei que quando saímos da casa do colega o Galo começava a cantar.

No sábado em que foi realizado o enlace matrimonial levei minha namorada que, de tanto eu falar naquele casamento, estava mais entusiasmada do que eu. O casamento era um dos mais pomposos que eu já tinha ido até então. De lá fomos para a casa da noiva, onde a festa seria realizada. Tanto eu como os colegas estávamos com a “boca seca” a espera de um chope bem gelado tirado daquele barril com um colarinho de três centímetros.

A casa da noiva era aquela casa grande com um enorme quintal, comum nos anos 1950, apesar de estarmos na década seguinte. Havia muitos convidados, o pai da noiva muito contava histórias, muitas cadeiras pelo quintal, tudo bonito e bem arrumado, só faltavam os doces, salgados, refrigerantes e o chope.

Minha namorada, a Sônia, estranhou, mas arriscou um palpite:
– “Vai ver que o responsável pelas bebidas se atrasou.”
Bem nesse caso também os responsáveis pelos sanduíches e doces também deveriam estar atrasados. Nada disso! Não tinha doces, salgados e muito menos bebidas. Só papo furado… Como falava o pai da noiva! E quem estava a seu lado fazia cara feia, com vontade de comer e beber. Na tentativa de quebrar aquele papo furado, uma menininha dançava e todos risonhos achavam ela uma exímia dançarina.

O colega, que no caso era o noivo, foi até o bar próximo comprou uma dúzia de cervejas; nos levou até a cozinha sem que os demais vissem, e ali molhamos o bico na surdina. Na verdade não foram muitos colegas da firma ao casamento, principalmente as mulheres, só foi mesmo aqueles que eram os mais chegados, que jogavam baralho na hora do almoço e que participaram da noitada de despedida de solteiro do Sergio.

Na segunda-feira, os que não foram ouviam os comentários e riam de canto a canto, principalmente sobre os comentários do pai da noiva e um monte de babacas ouvindo as histórias dele. Fui em muitos casamentos, mas como aquele não vi coisa igual!

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