Um Carnaval misterioso

Foi no carnaval de 1968, eu tinha entrado como sócio no Club Piratininga, cuja sede era na rua formosa, no prédio da CBI no 26º andar.

Os bailes de carnaval do Club eram feitos no salão do Fasano, na Avenida Paulista. Foi um baile maravilhoso, parecia que estávamos no Teatro Municipal.

Logo no começo do baile, eu estava no balcão, esperando minha bebida, quando, ao meu lado, encostou uma mulher sozinha. Era uma mulher linda, com um corpo escultural, morena de cabelos compridos, alta. Ela também pediu uma bebida, eu puxei conversa, ela respondeu, e ficamos conversando e bebendo, até que eu a convidei para dançar (pular) o Carnaval. E assim foi: ficamos dançando a noite toda e bebendo, conversando.

No intervalo das músicas, cada um foi para o seu banheiro. No banheiro, os meus amigos perguntaram aonde eu tinha arranjado aquele “mulherão”; eu também pensei “está chovendo na minha horta!”. Todos no salão olhavam para ela, pois era muita linda.

Eu estava todo orgulhoso, dançado ao lado dela. Eu pensava “depois do baile, vou levá-la para o meu apartamento!” (já que tinha um kitchen na Barão de Limeira).

Foi uma noite maravilhosa, ela era muito inteligente, conversava bem, estava muito bem vestida para um baile de carnaval (via-se que a roupa era coisa fina).

Eu estava muito entusiasmado, que só fui perguntar seu nome quase no fim do baile, que ela disse “meu nome é Paula”, trocarmos alguns beijos durante o baile, e eu já estava apaixonado pela morena. Eu pensava: “Comecei bem o Carnaval!”.

O baile terminou e fomos à chapelaria. Ela foi pegar o seu casaco, eu peguei a minha blusa e estávamos conversando na porta do salão quando, de repente, apresentou-se um homem de 1,90m de altura, muito educado. Ela falou: “Este é o meu marido” e me apresentou ele.

Fiquei gelado, não sabia o que dizer. Ele me agradeceu de eu ter dançado com a sua mulher a noite toda; ela me deu um beijo e se despediu.

Fiquei parado vários minutos, sem saber o que fazer. Meus amigos queriam saber onde estava aquela mulher, falei “ela foi embora com o seu marido”. Ninguém queria acreditar na minha história.

Saí sozinho do baile, fui andando pela Avenida Paulista e pensando: “O que será que aquela mulher queria? Por que o marido não ficou com ela durante o baile todo?”. Fui dormir sozinho…

Eu que pensava que tinha um avião nas mãos, acabei sem nada. Mas valeu conhecê-la e gostoso conversar com uma mulher bonita. Esperava que nos outros dias de carnaval eu a reencontrasse-a, mas nunca mais a vi…

Nos outros dias de Carnaval conheci várias mulheres, muitas tinham me visto com a linda morena e perguntaram onde ela estava, porque não tinha vindo brincar o Carnaval; eu respondia que ela tinha viajado para a Europa. Até hoje eu penso naquela linda Paula.

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