Naqueles tempos o Carnaval aqui na Vila Mariana era muito curtido pelos jovens e adultos; havia vários clubes, como Vila Mariana, Monte Carlo, Círculo Militar, Ipê e outros em que podíamos brincar sem medo, pois o ambiente era familiar mesmo.
Naquele ano, 1968, além dos clubes o filho da professora Hilda resolveu fazer um baile à fantasia no salão do Externato Tibiriçá. Mandamos fazer “sarongue”, compramos colares de havaiana e, claro, confetes e serpentinas. Meus pais aprovaram a nossa ida, éramos um grupo de rapazes e moças, todas fantasiados.
A festa estava animada com muita música como: “Olha a cabeleira do Zezé”, “Bandeira Branca”, “Confete”, entre outras; regada a refrigerantes e para os mais velhos Cuba Libre, bebida comum naquele tempo.
Meu pai e outros vizinhos foram dar uma de espiões para ver como estava a festa, e qual não foi a surpresa deles quando viram o Roberto Cracco de pijamas e outro rapaz com um short muito curto. “Ah”! Meu pai e os outros ficaram indignados, que baile era aquele? Quanta imoralidade?
Nesse meio tempo minha irmã chegou chorando de dor no pé, pois outro rapaz, fantasiado de policial e claro com um "baita" coturno pisou com toda força e quando olhamos para o pé dela parecia um pão roxo. Meu pai, que já tinha entrado no baile, viu minha irmã chorando e não teve dúvidas, arrastou nós duas para fora, direto para o hospital.
Ela ficou engessada por um bom tempo e no dia seguinte foi só brincadeiras com seringa de plástico, cheia de água e que eram em forma de banana, laranja e limão e depois curtir na TV o “Concurso de resistência” que havia no Ginásio do Ibirapuera, que aliás, era muito engraçado.
O que mais ficasse dançando, isso durante os quatro dias de folias, ganhava um prêmio.
O Siriri, um engraxate que ficava na porta da Padaria SP era um concorrente assíduo.
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