Última narrativa paulistana

Década de cinquenta.

À escola juntos íamos, sempre a pé. Morávamos na antiga Rua Manuel de Nóbrega, defronte ao Clube Banespa.

Cruzávamos a então Avenida, acredito que era a Adolfo Pinheiro, passávamos defronte a portaria do Clube e do Bar do Alemão e entrávamos na Rua João Paes até atingirmos a linha do bonde, que hoje é a Avenida Vereador José Diniz, aí caminhávamos até a Rua Joaquim Nabuco e a subíamos até onde era a escola: Grupo Escolar Mário de Andrade.

Entre uma fatia de picanha e uma cervejinha, veio a idéia:
-“Cideme, você topa a gente ir sábado que vem, saindo de onde era a nossa casa e fazer o mesmo percurso, à pé, e depois nossos filhos nos pegam lá e vamos almoçar fora? Só que você paga?”. Como é típico dele. Falei:
– “Tudo bem! Mas aí…”.

Transcrevo na íntegra as palavras dele:
– “Analisando bem já pensou ir do antigo local de nossa casa até lá? Dá mais ou menos uns dois quilômetros e meio. Ir a pé não é mole”.

Naquela época a gente tínhamos 10 ou 12 anos. Entre ida e volta eram uns cinco quilômetros. Depois ainda íamos jogar bola, correr atrás de quadrado, pegar balão, tomar conta de carros, nadar na Granja Julieta, caçar rã, preá, passarinho, ir a noite ao Cine Meninópolis, tomar banho de enxurrada, roubar canos de chumbo das pias das casas abandonadas, engraxar sapatos, vender gibis na feira… Essas e mais outras eram a nossa Academia de Ginástica.

Mas agora estou na dúvida.

– “Sabe Cideme, acho que mudei de idéia, mas poderíamos almoçar fora e você paga…”.

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