São Paulo,
Quantas vezes te visitei e precisei voltar.
Retornava mais frágil, quase implorando teu abraço.
Respirar teu ar poluído, sentir o vento que sopra nas folhas das tuas palmeiras, para ter a certeza de que ainda vivia.
Olhar para o Lago do Ibirapuera e ver os edifícios refletidos nas águas prateadas.
Aos poucos, matava uma saudade que nunca me deixou.
Comer do pastel de feira, das pizzas do Bixiga, beber do chopp nos bares da Augusta.
Indispensável era sentir o teu barulho, sentado solitário nos bancos de madeira da Catedral da Sé.
Quando retornava,
Necessitava ouvir os CDs na Galeria do Rock e shows no estádio do Morumbi.
Preciso acreditar que o teu futuro será o melhor possível.
Preciso sempre saber do teu passado nas conversas em padarias, de pessoas que como eu, Oferece-te um amor verdadeiro, calado e inquieto.
Quando retornava,
Vinham à tona as lembranças da minha infância, do meu pai e dos meus irmãos nordestinos que te ajudaram a crescer.
Emocionante passar em frente ao velho Edifício Itália, a alegria de contemplar as curvas do Copan e a arquitetura ousada do MASP.
Sentir-se um herói tocando o concreto do monumento do Ipiranga, tornar-se criança, outra vez, perdido dentro do zoológico.
Ser um simples cidadão,
Caminhando devagar pela Paulista.
Hoje, não te largo mais e eternamente serei teu visitante.
Não o mais ilustre: apenas o mais apaixonado!
E-mail: [email protected]