Eu trabalhei com um cidadão no Bom Retiro, na Rua Amazonas. Depois mudamos para a Rua Afonso Pena, para quem não sabe, ela é paralela com a primeira, próxima à Rua Três Rios. Esse camarada era casado, já com uns três filhos, mas era um mulherengo de primeira linha.
Ele me contou que uma vez arranjou uma mulher, não me lembro se era casada, desquitada ou largada, só sei que ele andou envolvido com ela. Na época, ele morava em Poá, viajava todo santo dia na Central do Brasil, Já ela morava na Vila Galvão, próximo ao Jaçanã. Como ele tinha os irmãos em Guarulhos, quase todos sábados ele partia para lá. A mulher tinha uns cinco ou seis filhos todos com idade escolar; o mais velho devia ter dez anos, era uma escadinha… A primeira vez que visitou a "namorada", ela já se encarregou de dizer para os meninos que o Luiz Carlos, o "garanhão da Central" tinha vários terrenos pra vender, pois era corretor de imóveis. Então ele dizia pra nós assim:
– “Cada ‘veis’ que ‘vo’ lá, a molecada ‘mi’ vê ‘chegano’ na esquina já corre pra dentro de casa e fala ‘pra’ mãe:
‘Ô’ mãe, o moço ‘dus’ terrenos ‘vem’ ‘vino’ lá na esquina.”
Quando ele chegava na casa da mulher, já dava dinheiro para a molecada comprar doce, sorvete e brincar no parque; ou então a mãe dava a bola para os meninos jogar com os outros numa rua que ficava distante da casa pra não atrapalhar o "amor dos pombinhos". Eu sempre o advertia dizendo assim pra ele:
– “Qualquer hora o ex-marido dela, o pai dos garotos pega você lá com ela; ai o moço dos terrenos vai desistir da corretagem e não vai querer vender mais terrenos (risos).”
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