Tributo ao meu pai

Meu Pai trabalhava em dois empregos. Era desenhista mecânico e trabalhou
por 30 anos consecutivos na Light do Cambuci, da Rua Lavapés. Levantava às 4h00 da manhã para pegar o bonde depois também trabalhou por mais de 20 anos no SESI de São Caetano do Sul, como professor de desenho mecânico, chegava em casa por volta das 22h00.

Com sua habilidade ele desenhou e confeccionou um "chiqueirinho" de madeira
duplo dividido por uma tábua para as gêmeas ficarem. Era lá que fazíamos nossas refeições e não raro uma esfregava banana na cara da outra.

Em julho ele entrava em férias no SESI e então chegava mais cedo em casa, lá pelas 17h30min. Quando o via subindo a Rua Itacoarati saia correndo ao seu encontro para carregar a maletinha de couro dele. Ás vezes ele trazia uma fruta que hoje nem todos conhecem: o jatobá. Eu e minha irmã achávamos o máximo e quando eu via a fruta dizia assim:
– “Oba o pai trouxe "pum".

Quem conhece a fruta sabe que dentro da baga marrom tem umas sementes envoltas em um pó verde com um cheiro forte. Íamos para o quintal do fundo, comer aquele pum e ficar com a boca toda esverdeada. O pó grudava nos dentes, mas era muito legal.

Atualmente é difícil encontrar essa fruta, uma vez a encontrei em Belém, no Pará, e comprei só para meus filhos conhecerem, já que nunca tinham visto. Eles não acharam graça nenhuma, mas eu e a minha irmã gêmea nos deliciávamos com ela, e ríamos uma da outra quando víamos os dentes todos verdes.

Também me lembro que naquele tempo só tomávamos refrigerantes no Natal e no Ano Novo, eu já estava com 7 anos e ainda chupava chupeta (e meus dentes não são tortos,
e não havia chupeta ortodôntica), então meu pai falou me disse:
-"Se você jogar a chupeta fora eu dou dinheiro para você comprar um guaraná".

Trato feito joguei fora a minha chupeta e fui na venda do seu Luizão comprar meu Guaraná Champagne Antártica, que a gente furava a tampinha com prego só para degustar por mais tempo.

Já estava com quase 12 anos quando via nos cartazes dos bares a propaganda do
refrigerante Seven Up (7 up), e eu pedia um “Sete Up” sem saber falar o nome em inglês. Meu pai, como não me entendia, me levou até a venda e eu mostrei o cartaz, então ele comprou o refrigerante e eu experimentei meu “Sete Up”. Que delícia!

Sempre trabalhador, lutou muito e conseguiu formar as três filhas.

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