Santo Amaro, de longa tradição religiosa remetida ao século 19 em romarias para Pirapora do Bom Jesus, teve a tradição continuada através de Cenerino Branco de Araújo, pelos idos de 1920, quando Santo Amaro ainda era município independente e cidade do interior de São Paulo, perdendo autonomia em 1935.<br><br>Em singelas manifestações populares a romaria era inicialmente preparada a partir do Mercado antigo, na atual Praça Francisco Ferreira Lopes, sendo mais tarde deslocada para o antigo Largo São Sebastião, hoje Boneville.<br><br>Devido ao crescimento de São Paulo a Romaria para Pirapora do Bom Jesus foi divida em duas, sendo ambas seguidas por belos cortejos rumo à cidade de Pirapora, distante pouco mais de 50 quilômetros da capital, com romeiros viajando de muitos modos, charretes, montarias, bicicletas ou caminhado a pé para uma grande reunião na igreja Matriz de Pirapora para missa solene, recebendo as bênçãos como prêmio máximo de tão fervorosa peregrinação em nome da fé.<br><br>Esses cortejos sempre foram fatos marcantes e muito concorridos em Santo Amaro, mas com o desenvolvimento da região as interferências urbanas das estradas de alta velocidade dificultaram as condições de ida e vinda. Atualmente poucos se aventuram pelos meios originais e há todo um aparato e segurança para romeiros e animais que fazem tão a tradicional jornada, mas ainda perduram mesmo com as adaptações necessárias, através desses abnegados que lutam para preservação de um dos folclores mais bonitos das tradições paulistas e paulistanas.<br><br>Merece, deste modo, que seja reconhecido pelo conselho do patrimônio histórico o tombamento de tão belos festejos ocorridos anualmente e que sejam considerados a somatória da cultura material, imaterial e espiritual, do contexto rural e urbano, aonde vão a frente estandartes de irmandades e padroeiros sendo um abre alas ao passar em frente à Matriz de Santo Amaro, hoje um monumento em risco, apoiado por andaimes internos de sustentação, mas ainda um marco para os cavaleiros que reverenciam com seus chapéus ao peito em sinal de respeito e requerendo proteção para a caminhada.<br><br>Neste ano ocorreram dois momentos importantes para ambas as romarias, sendo primeiramente homenageado Geraldo Diniz, muito conhecido em Santo Amaro como "Pracinha", possuidor de histórico invejável por ter participado das romarias com seu irmão José Diniz, o Zé da Farmácia.<br><br>Muitos descontraídos têm o costume de falar que não são filhos de Santo Amaro, esperando que se pergunte o motivo, somente para responder em tom jocoso:<br> – “Por que Santo Amaro não se casou!” <br><br>A segunda romaria tinha na figura de seu antigo presidente, Luiz Antonio da Silva Araújo, o conhecido Luizão, um grande entusiasta, falecido em 2011, antes do evento que vinha preparando e que foi homenageado com méritos merecidos, pois sempre exigia a perfeição em todos os detalhes; desfiles impecáveis, perfeitos que muito honram a "cidade de Santo Amaro", como falam os antigos.<br><br>Pela emoção e beleza de ambas, merecem serem reconhecidas e tombadas como patrimônio histórico de São Paulo.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>