Três histórias do Brás

Nasci e fui criado em Santos. Aos 18 anos, para prosseguir nos estudos, mudei-me para São Paulo, em 1958.
Fui morar na casa da tia Bessie, irmã de minha mãe, na rua Maria Marcolina. Meu tio, Daniel Finguerman, era comerciante na Rangel Pestana ("O Rei das Malas").
Certa vez, os dois parados na calçada, meu tio aponta para o outro lado da avenida, onde havia um bar, e diz: "Naquele bar, em uma de suas mesas, Alberto Marino compôs ´Rapaziada do Brás´".
Em outra ocasião, conversávamos meu tio e eu. O assunto passou a ser música e ele me disse: "Há muitos anos eu assisti a apresentação de um artista no Cine Teatro Oberdan; como cantava aquele homem!".
Eu perguntei: "Quem era, tio?" E ele respondeu: "Você não conhece, chamava-se Carlos Gardel."
Vizinho ao estabelecimento de meu tio havia a loja de móveis de um patrício. Digamos que o nome dele era Jacob.
Pois o tal Jacob, estivesse onde estivesse, na Lapa, na Penha, ou qualquer outro lugar, ao passar frente a lojas de móveis fechava a carranca e murmurava: "Concorent file de pute".