Acho que por volta de 1955 foi a vez primeira que tomei o trenzinho que tinha na confluência da rua da Cantareira com João Teodoro a estação ínicial saindo daí para Guarulhos, ou no entroncamento em Santana para a Serra da Cantareira. Meus primos Sybel e Lígia, moravam temporáriamente numa chácara na estação de Gopoúva em Guarulhos. O caminho era particularmente lindo e lembrava em muitos trechos Campos do Jordão quando passava pelo Jardim São Paulo que ainda não era urbanizado, haviam alí bosques de eucaliptos e pinheiros. Havia um desnível acentuado entre a baixada do Pari e Canindé até Gopoúva, então você ia subindo, subindo, e o vaporzinho fazia muita fumaça, e resfolegava parecendo um asmático, mas vencia galhardamente as subidas. Numa tarde muito quente de verão fomos ter à Gopoúva e foi muito gratificante chegar lá e respirar o ar puro do Jardim Tranquilidade como era chamado o bairro que constítuia na maioria de pequenas chácaras. Percorrer bairros que nunca tinha passado antes, como Santana, Carandirú, Parada Inglesa, Tucuruví, Vila Mazzei, Jaçanã, Vila Galvão, e por fim Gopoúva que completaria nessa estação 16 km. da estação ínicial. Animado por essa experiência, tomei o trenzinho, mas agora com destino ao Horto Florestal, era um final de semana, e os vagões estavam lotados de excursionistas que como eu iam perto do paraíso quase possível na terra, o sopé da serra, lá estava o Horto Florestal uma imensa área de recreação, muito verde, lagos, pedras, e o príncipal, aquela tranquilidade repousante. Nesse trajéto fiquei conhecendo alguns bairros, como: Chóra Menino, Santa Terezinha, Mandaquí, Tremenbé, e por fim o Horto Florestal. O traçado desse ramal era mais íngrime, e haviam passagens estreitas, verdadeiras gargantas, para logo em seguida dar para paisagens deslumbrantes.