A Rua B, mês de dezembro,
Uai! Lá vinha o mineiro,
Vendendo árvore natural,
Eram pinheiros de natal.
Ele era simpático,
Sempre usava boné,
E gritava pela rua…
– “Olha os pinheiros do Zé!”
Todos admiraram,
A charrete do tio Zé passar,
E compraram um pinheiro,
Para o pinheiro enfeitar.
Na casa da menina Norma,
O pinheirinho foi a esperança,
De receber a ilustre visita,
Papai Noel, sonho de criança.
O tio Zé vendeu todos os pinheiros,
Mas o "Papai Noel" não encontrou a rua,
Ficaram as lembranças do tio querido,
Lembranças doces, tão suas.
José era um mineiro que amava São Paulo. Em uma das fases difíceis que José passou, decidiu vender pinheirinhos de natal em uma charrete, no Jardim São Luiz – SP (dezembro de 1969). Vendeu tudo. Estes versos foram escritos com base nas lembranças e relatos da sobrinha Norma, que muito o admirava.
José Natal Leite nasceu em Alfenas, Minas Gerais, em 1923. Na década de 40 ele e o irmão Sebastião Augusto Leite foram para São Paulo, "tentar a vida". Era desta forma que eles se referiam a aventura de ter ido para São Paulo. Os dois constituíram família, tiveram filhos, passaram muitas dificuldades, mas venceram. Nunca mais deixaram São Paulo. Aliás, o José sempre se referia a São Paulo com muito carinho, dizia que de São Paulo jamais sairia.
E assim aconteceu. Permanece em sua morada definitiva, Cemitério do Jardim São Luiz. José foi um conceituado pintor de casas, por muitos anos. Pintou inclusive o Mercadão da Lapa, com sua equipe. Tinha muito orgulho da profissão, por este motivo eu (a filha) fiz questão de mencionar a profissão, na lápide de sua última morada.
Na difícil luta pela sobrevivência, contanto que seja de forma honesta, todo trabalho é válido, inclusive vender árvores de natal.
Quanto orgulho sinto daquele José, meu pai. Quando chega nesta época, aperta a saudades. O natal ficou sem graça sem ele, o meu José Natal.
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