Terra, planeta água

Novamente neste ano da graça de 2014, volta-se a falar na falta d’água. É só puxar pela memória e veremos que é um caso cíclico, pois já tivemos racionamento, rodízio, e muitos dias com falta dela, sem contar que em certos bairros o problema é crônico. É como se fosse um caso de oferta e procura e clima descontrolado que por sinal sempre foi instável, sempre houve e sempre haverá, por isso urge providências e não contar só com São Pedro.
 
Sabemos que, em muitos países áridos, a água não falta devido à tecnologia de dessalinização da água do mar, sistemas de cisternas, posso artesiano e outros métodos.
 
Nós, habitantes da América, principalmente América do Sul, mais precisamente o sudeste brasileiro, somos privilegiados de termos o maior lençol aquífero do mundo e que já é muito explorado, mas queira ou não é finito.
 
Lembro-me que quando criança nas décadas de 50 e 60, em casa tinha poço de até 28m de profundidade e a água era puxada através de sarilhos. E quando o poço secava, tínhamos que aprofundar mais um pouco e a água voltava.
 
Mesmo com essa “tecnologia”, que depois com um recurso financeiro maior meu pai comprou e instalou uma bomba Rhimer, era só acionar a chave e a bomba enchia a caixa d’água, aposentamos o sarilho, vendemos ao ferro velho.
 
Já nos anos 70, chega a água encanada, que maravilha! Era só abrir a torneira e pronto, jorrava água abundante. Devido a isso aposentamos a bomba, mas não fechamos o poço, apenas colocamos uma tampa de concreto em cima.
 
Correu um boato que a empresa de abastecimento exigiu que se fechassem os poços, com o parecer de que a água podia se contaminar ou coisa parecida, mas creio que foi para haver consumo dela e faturar através do seu uso, mas não fechamos o poço.
 
Porém, nosso vizinho, como muitos outros que tinham poço, transformaram-no em fossa. Isso fez com que todos os poços da região ficassem contaminados e a solução foi inutilizá-lo e cobrir com terra, tampando até boca.
 
Seria hoje uma solução para esse caso da falta do precioso líquido, ao menos para serviços de limpeza, jardim e até lavar roupas.
 
Mas, voltando a falar na contribuição do governo, do povo para a economia d’água, sabemos que todos têm um pouco de culpa, sem contar com o crescimento em escala geométrica do uso dela pelo crescimento da cidade.
 
Mas, já temos a água de reuso, cisternas em grandes condomínios, que inclusive fez me lembrar o que minha mãe fazia em época de chuva, para não ter que puxar a água do poço, pois era pesado e perigoso. Em dias de chuva ela recolhia a água em um tambor que caia da calha da casa. Era tanta água que transbordava o tambor, daria para encher dezenas de tambores.
 
Hoje em dia quando chove posso notar o volume imenso de água do telhado e do quintal que sai pelo cano do muro que vai para a calçada, em um jato impressionante de água límpida. Nesse instante lembro-me da minha infância quando a minha mãe recolhia essa água para lavar roupa e o piso da cozinha e de outros cômodos.
 
A natureza é perfeita temos que nos adaptar e respeitá-la e aproveitar bem o que ela nos oferece com racionalização.
 
Quanto à culpa do governo, cito a falta de manutenção preventiva, como não abaixar o leito dos rios e represas na época da estiagem. Vemos os reservatórios secos e o solo trincado, parecendo pedaços de chocolates no chão, com máquinas retro escavadeiras e tratores. Seria possível aumentar em muito a capacidade desses reservatórios, quando chegasse época de chuvas, como é o caso dos piscinões, caso daquelas represas que se formam devido a extração de areia e pedras e ficam ali ameaçadoras para as pessoas incautas que vão banhar-se no verão, nesse caso teríamos maior volume de estocagem nessas represas.
 
Vejam o caso do aprofundamento da calha do Rio Tiete, foi um sucesso. Dificilmente há enchentes e transbordamentos ali. Vamos acreditar que o exemplo seja seguido no caso dos mananciais.
 
Outro descaso dos governantes está claro e a céu aberto o despejo de lixo e esgoto em boa parte das represas de Guarapiranga e Billings, devido às invasões e loteamento clandestino “autorizado” muitos deles por políticos visando votos. O mais alarmante ultimamente, ficamos sabendo que o cemitério Parque das Cerejeiras no M’ boi Mirim, todo chorume dos cadáveres estão indo para a represa de Guarapiranga, por isso que dizem que nós bebemos esgoto tratado e não água.
 
Também, sempre vem à mente, nessa época, a música cantada por Nerino Silva: “Súplica cearense” de Gordurinha, “O meu Deus eu pedi tanto para chover no meu sertão, mas chover de mansinho para nascer uma plantinha no chão”…