A Páscoa no Braz

Páscoa… Está chegando a Páscoa, 40 dias de Quaresma, após o Carnaval… Semana Santa… “Pasquéla”, na segunda-feira… Quantas recordações, quantas lembranças do Braz, na época, bairro da megalópoles São Paulo (hoje, centro). Rua Assumpção, do Lucas, Benjamim de Oliveira, Monsenhor Andrade, Monsenhor Anacleto, Fernandes Silva, Américo Brasiliense, (usurpada pelo bairro do Brooklin), Alvarez de Azevedo (hoje, Polignano a Mare), Palácio das Indústrias, do Gasômetro… E o Mercado Municipal municiando toda a população de carnes, frutas, verduras, queijos, frios, peixes, cabritos, leitões, coelhos, frangos, patos, enfim: tudo para festejar a Páscoa. Fim das sextas-feiras sem carne, abstinência e na Semana Santa, jejum na sexta-feira. Assim era o ritual da colônia baresa, os polignaneses, oriundos de Polignano a Mare, província de Bari, sul da Itália, como eram meus pais e a grande maioria dos moradores das ruas citadas. Isto sem falar da Igreja de São Vito e a do Bom Jesus do Braz.
 
Tempos idos em um formidável bairro internacional, onde se concentravam, além da barezada, grande parte da colônia portuguesa, libanesa, síria, nipônica e nordestina; todos em uma verdadeira reunião de membros dos principais países do mundo e dos estados brasileiros.
 
Ir ao mercadão, então, era um festão. Que sortimento de alimentos, já naquela época, se encontrava, com bastante fartura, dando sinais, nos anos 40 e 50 em diante, como era e se tornaria o mercado mais popular do mundo. No sábado de Aleluia eu e meus companheiros, munidos de pedaços de pau ou ferro, ao meio-dia, começávamos a malhação do Judas, brandindo os pôsteres que eram todos de ferro, provocando um barulhão estrondoso por todo o bairro.
 
Já podemos falar do século passado com nostalgia e nos anos depois da guerra, a mesma coisa.
 
Em casa, então, era aquela preparação de guloseimas que dona Felícia começava a movimentar a cozinha, “piccicatela scagdete” (tarale salgada), “ficazza” (pão de batata), richittella (orelhinha), cagtzoune (tortas de cebola e de carne), pizzica dolcci, (torta de ricota com açúcar), cabritos, pernis, pescados e molhos. Sempre na mesma vontade e alegria de poder preparar os pratos típicos pras festividades da Páscoa. E depois, na segunda-feira, com as sobras dos dias anteriores, festejávamos a “pasquela”, que se fazia um piquenique à beira (por favor, não vão rir) do rio Tamanduateí, atrás do Palácio das Indústrias, com todas as mocinhas e garotos da região.
 
Minha mãe, incansável em cuidar dessa data, manda a todos, por intermédio de mim, na forma espiritual, um grande abraço e feliz Páscoa.
 
(antes de sentar pra redigir essa narrativa, fui ao médico e soube que contraí a dengue, que assola nosso bairro Parque Continental e os municípios vizinhos de Osasco e Carapicuíba. Tomem muito cuidado!)
 
Feliz Páscoa a todos e ao pessoal da equipe do SPMC!