Desde garoto sempre fui um andante, andarilho, viajante, turista, etc. e tal. Talvez isso seja de "espíritos viajantes” de portugueses e italianos, afinal sou originário dessas duas raças. Como um modesto observador, sempre passava e via no Teatro Paulo Eiró uma obra linda, sua arquitetura, aquele mural feito por Júlio Guerra, de mosaico de cimento, mármore, pedras, etc. Inaugurado em março de 1957, foi uma obra importante para região nas atividades artísticas e culturais. Imaginem para essa época um teatro com capacidade para 800 pessoas. Época que Santo Amaro era município. Ele era um luxo. Pouco conhecido do público de São Paulo e sempre em reforma, que duram anos, por lá passaram grande artista e boas peças teatrais.
O nome Teatro Paulo Eiróé em homenagem ao dramaturgo, poeta, escritor e professor: Paulo Francisco Emilio Sales das Chagas. Tinha uma prima chamada Querubina, por que foi apaixonado. Lia em francês e viajava muito a pé. Ia ao Rio de Janeiro ou a Santos e levava meses. Entrava em depressão. Certa ocasião, com uma paixão não correspondida, foi a um casamento na Catedral da Sé, e ao ver no altar a noiva, percebeu que era sua ex-namorada. De novo entra em depressão. Ao voltar para casa escreve a poesia Fatalidade, onde desabafa suas mágoas. O poeta era um azarado no amor.
Esteve internado em um seminário. Seu pai, Francisco das Chagas, foi o primeiro presidente da comarca de Santo Amaro. Paulo Eiró estudou na Faculdade do Largo São Francisco. Quando desaparecia, sua família deixava os portões de casa sempre abertos, pois sabiam que ele voltaria. Quando ia à Igreja de Santo Amaro assistir a missa em um estado doentio, interrompia o padre dizendo coisas desconexas. Um dia quebrou um crucifixo. Então seus parentes começaram a prendê-lo em casa. Ficou internado em um Hospital de Alienados, na Várzea do Carmo, Rua Tabatibguera, e teve meningite (esteve internado por cinco anos).
Em Santo Amaro há uma rua com seu nome. Teve uma escola, onde hoje é uma praça e já foi camelódromo, chamada Escola Paulo Eiró. Foi uma das mais antigas, de madeira. Veja só! Destruíram uma escola, aliás, mais uma!
Tive o privilégio de estudar nessa escola. Foi um ano muito proveitoso. A família de Paulo Eiró era uma família tradicional em Santo Amaro. Ele morreu muito jovem. Era talvez mais um andante, andarilho, viajante, aliás, literalmente não entendi porque o Eiró.
Fonte: Schmit, Afonso – A vida de Paulo Eiró.