Anos 50. Vila Nair-Sacomã-Ipiranga. Rua Cinco de Julho, esquina com a Capichanã. Ruas de terra batida, muita lama e muito barro.<br><br>À noitinha, a rapaziada se juntava ao lado do portão da marcenaria do seu Pires, padrasto do Zampano, que muitas vezes nos brindava com canções italianas, “Mari..Mari….Torna Sorriento, Sole Mio etc”.<br><br>As horas se passavam entre piadinhas, historinhas, mentirinhas, até que a turminha se dispersava. Uma noite, não sei por que, começou uma guerrinha, ns atirando pedacinhos de barro nos outros, e coisa foi engrossando….<br><br>Pelotadas de barro, correrias, esconde-esconde e gritos: "te acertei"! E gargalhadas…. Passaram-se minutos e a batalha continuava feroz.<br><br>De repente, de trás de um poste, o SILVÃO saiu totalmente desprotegido, com as mãos na cabeça: “para….para….para….”<br><br>A trégua instalou-se. Na iluminação precária, vimos do meio da carapinha do SILVÃO, brotando um jorro de sangue…..<br><br>Toda a turminha se juntou para ver o que havia acontecido, menos o Joãozinho, que nunca mais voltou à esquina…….<br><br>e-mail do autor: [email protected]<br>