Em novembro de 1978, o Corinthians ia jogar uma partida duríssima com o Palmeiras pelo Campeonato Paulista. Eu tinha um vizinho na Avenida Jabaquara, que se chamava Celius, e ele tinha um comércio de venda de pisos e azulejos. Era palmeirense e na época todos eles eram um tanto fanfarrões, afinal, eram tempos de vacas gordas, ainda.
No sábado que antecedia o jogo ele me viu passando em frente ao seu comércio e soltou um desafio:
– Aí corintiano, me dê dois de lambuja amanhã e eu te pago 10 por 1.
Dei um sorriso amarelo e declinei da aposta, era um clássico sem favoritismo. No domingo, estacionei o carro uns 2 km longe, afinal, era jogo de Morumbi lotado. Descendo em direção ao estádio, tinha uma travessa que fazia uma curva enorme e voltava quase no mesmo lugar, ou seja, não dá para entender.
Resolvi entrar nesta rua a título de sacrifício, pensando que assim o Corinthians poderia ganhar, ou seja, superstição. Dei uma volta danada e voltei quase no mesmo lugar. E depois entrei no estádio. E o jogo foi 3 x 0 para o Corinthians, dois gols de Sócrates e um de Vaguinho. Sócrates deu um show de bola.
Na volta, lembrei do fanfarrão do Celius e da aposta de 10 para 1 que não aceitei. Depois disso, sempre que o Corinthians tinha um jogo difícil, eu entrava nesta rua.
E-mail: [email protected]