Sofá vazio – Hebe Camargo

Pela primeira vez, em quase 50 anos, o sofá ficou vazio. Eu me lembro, quando menino ainda, assistia pela antiga TV Nacional ao programa O Mundo é das Mulheres. Já naquela época era um programa de entrevistas, onde Hebe e mais três companheiras entrevistavam homens famosos no programa.<br><br>Em 1966, Hebe foi para a TV Record, que era a emissora líder da época, e foi lá que o sofá começou a ser usado. Além de Hebe Camargo, centenas de personalidades (ou milhares) sentaram-se ao seu lado. As entrevistas não se limitavam apenas a artistas nacionais, Hebe entrevistou muitos artistas internacionais. Ela passou por quase todas as emissoras de televisão. Não foi apenas uma apresentadora, Hebe foi cantora e atriz também. No dia em que a TV Tupi foi ao ar pela primeira vez, Hebe estava lá.<br><br>Para mim ela representa o sorriso da televisão brasileira e, a partir de hoje, a televisão perde a graça que tinha com Hebe Camargo. Mesmo quando o câncer a pegou, Hebe sorria, batalhou e chegou a vencer alguns “rounds” contra a doença. Alguns tipos de morte só acontecem com pessoas muito especiais, Hebe morreu dormindo. Deus foi muito generoso com ela.<br><br>Quando ela apresentava desfiles de moda na televisão, lá pelos anos 60, ela costumava dizer que era uma pena a televisão não ser em cores para que seus telespectadores pudessem ver a maravilha dos vestidos. Não sei se esse bordão foi criação dela, mas com certeza "que gracinha" foi. <br><br>Certamente o Brasil chora a sua morte, não dá para pensar em televisão sem a figura de Hebe Camargo. Eu acho que Hebe estava tendo um lindo sonho quando morreu e deve ter morrido como sempre viveu, sorrindo. Questão de merecimento. Agora o sofá ficou vazio. O Ministério das Comunicações deveria decretar luto oficial de três dias para Hebe Camargo, a grande dama da televisão brasileira. Três dias sem nenhuma emissora de TV no ar.<br><br><br>E-mail: [email protected]