Leio diariamente as novas histórias inseridas e publicadas no site, que se tornou um algo a mais de quem hoje vive mais em recordações, que em ações…
As histórias publicadas têm uma variedade de assuntos e coisas que exaltam a construção da cidade e daqueles que aqui vivem e viveram. Coisas gratificantes, das quais muitas vezes participamos indiretamente. Muitos abordam os grandes eventos… Grandes nomes e fatos, aos quais sou grato por reavivar coisas já até esquecidas…
Como simples figurante, dentre os milhões, que participaram da construção da pujança de nossa cidade, de forma humilde, quero tentar dedicar, minha pequena história a um personagem que minha memória preza: "Mineiro".
Meu pai, pedreiro, era empreiteiro de obras (não confundir com empreiteiras, por favor), e sempre, felizmente conseguia se manter em atividade, lutando para vencer a concorrência de pequenas construções, principalmente no bairro onde morávamos…
Trabalhavam com ele, meus irmãos, também profissionais do ramo. E sempre tinham como ajudante algum servente de pedreiro. Vários deles aprenderam a profissão e partiram para a independência profissional, pois era grato ver jovens empunhando uma colher de pedreiro e tentando assentar tijolos pela primeira vez: “Olha a linha”, “pouca massa”, “olha o prumo”, etc.. Mas aprendiam…
Muitos moravam nas obras, dormiam em camas improvisadas de tábuas da construção, com um pequeno colchonete e algum cobertor. Faziam sua própria comida e lavavam suas roupas no local de trabalho. Nada de carteira assinada, FGTS, 13º salário e outros direitos, apenas a vontade de ganhar o "ordenado" e guardar alguma coisa para voltar para sua origem…
Dentre muitos que conheci, um me marcou: O Mineiro (nunca fiquei sabendo seu nome), mas não importa… Era pontual, trabalhador (mesmo). Dava conta em servir massa, tijolos, peneirar areia, mexer concreto, sempre com um ar despreocupado e alegre. Participou da equipe por muitos anos…
Ao fim da jornada, pegava o carrinho de mão, do qual cuidava com muito carinho, sempre limpo e engraxado, colocava os restos de madeira que na obra sempre sobram e partia para sua casa, lá nos fundos do Parque Bristol, onde havia com todo o sacrifício comprado um meio terreno, e aos poucos construído sua casinha; onde vivia com sua esposa e seus filhos menores… O combustível do fogão estava garantido….
Um dia, meio sem jeito, se aproximou de meu pai e disse que queria parar de trabalhar com ele…. Havia sido convidado para trabalhar em uma fábrica, onde teria outras vantagens… E se foi.
Nunca mais tive notícias. Espero que tenha tido sucesso. Não ficou esperando pelas benesses dos direitos, foi à luta!
E-mail: [email protected]