Sempre é Carnaval… Sempre é Carnaval… Vamos embora pessoal ! Sempre é Carnaval… Sempre é Carnaval… Muita alegria pessoal! Linda morena que está comigo na terça-feira de Carnaval.
Na quarta-feira estará distante. Não fique triste. Porque sempre é Carnaval! Sucesso de Joel de Almeida.
Que saudades dos tempos que podia cantar essa marchinha tão alegre, esse tempo já passou e não volta mais. Lembro dos meus tempos de criança que ficávamos assistindo junto com meus pais o Corso passando pela Avenida Rangel Pestana e eu fantasiado de Pierrô e minha mana de Colombina com bastante maquiagem para resplandecer nossa alegria, com muito confete e serpentina atirados por todos os lados. Eu sempre levava comigo meu saquinho de confete.
Depois fomos crescendo e o Corso se tornou coisa do passado, pois o Carnaval virou festa de salão, mas mesmo assim nos divertíamos saindo pelas imediações com a cara pintada pela ponta de uma rolha de cortiça queimada donde nos faziam barba e bigode e assim era o nosso Carnaval na infância.
Mas o Carnaval teve suas fazes e aquela que mais me diverti foi quando já podia entrar nos salões e pulava a noite toda. Ia dormir ao amanhecer, levantava ao meio dia para comer alguma coisa e partir para as matinês que iam ate às 18h; e assim sucessivamente até a terça-feira gorda. Na quarta o expediente começava às 12h e, como era meu caminho para o trabalho, quase sempre assistia quando as pessoas que eram detidas durante o Carnaval por brigas ou desentendimentos e enviadas a Central de Policia no Pátio do Colégio serem soltas naquele horário sempre. Era muito engraçado ver o pessoal saírem alguns fantasiados outros mal trapidos devido às confusões que se haviam envolvido.
Lembro que depois começaram os blocos carnavalescos nos bairros de São Paulo. Eu ia sempre com minha noiva na Vila Esperança ver a Nenê da Vila Matilde Que saudades daquelas marchas carnavalescas inesquecíveis que ficaram gravadas nas nossas mentes: “Aurora”, “Que Saudades da Amélia”, “Arrastam a Sandália ai Morena”, “Daqui Não Saio, Daqui Ninguém me Tira”, “Helena, Helena Vem me Consolar…”, “Emilia”, “Com Pandeiro ou Sem Pandeiro”, “Chegou o General da Banda”, “Periquitinho Verde”, “Rasguei a Minha Fantasia”, “Esta Noite me Emborracho Bem”, “Maria Escandalosa”,” Pirata da Perna de Pau”, “A Mulata e a Tal”, “Pastorinhas”, “A Jardineira”, “Andaluzia”, “Com que Roupa Que eu Vou”, “Mamãe eu Quero Mamar”, “O Teu Cabelo Não Nega”, “Saca Rolha”, “Ta –Hi” , “Allah-La-O”, “Touradas de Madrid”, “As Águas Vão Rolar”, “Maracangalha”, “Estrela Dalva”, “Lata D'água”, “Vem Chegando a Madrugada”,” Olha a Cabeleira do Zezé, será que ele é? Será que ele é…” – e o povo no salão gritava em seguida “Bi…chá”.
Quanto Carnaval adorável passou na minha mocidade. Cines Olímpia, Brás Politiama que era o baile do Corinthians naquele tempo só depois foi para o Parque São Jorge com a construção do ginásio. Mas o que geralmente eu ia era no São Jose no Belém, ou nas Minas Gerais no Largo da Concórdia.
Naquela época lembro também da expectativa dos concursos de fantasia no Municipal do Rio donde a classe alta disputava os primeiros lugares. E para a gente só restava comprar as revistas
Manchete, Fatos e Fotos para vê-los ou nas telas do cinema entre os intervalos dos filmes ou pela televisão.
Hoje o Carnaval virou uns empreendimentos onde empresários montaram uma verdadeira indústria carnavalesca que leva um ano inteiro para se completar começando o novo ciclo sempre depois da apuração dos vencedores. E no lugar das velhas marchas entraram os Sambas Enredo que dificilmente alguém se lembra, com raríssimas exceções como, por exemplo, àquele inesquecível sucesso de 1982 da Escola Império Serrano que segue:
“Bem Bem Patigundum Prugurundum…
Nosso samba minha gente é isso ai, é isso ai…
Bum bum patigundum prugurundum…
Contagiando a Marques de Sapucaí…
Eu enfeitei, eu enfeitei… Meu coração…
Enfeitei meu coração de confete e serpentina
Minha mente se fez menina…
No mundo de recordação.
Abracei a Coroa Imperial…
Fiz meu Carnaval extravasando toda a minha emoção …
Oh Praça Onze… Tu és imortal teus braços embalaram o samba na tua apoteose triunfal…
De uma barrica se fez uma cuíca, de outra barrica um surdo de marcação…
Com reco-reco, pandeiro e tamborim e lindas baianas o samba ficou assim passo a passo…
E passo a passo no compasso… O samba cresceu…na Candelária construí seu apogeu…”
Este sim uma obra prima dos sambas enredo neste Carnaval moderno. E encerro esta lembrança carnavalesca com aquela marchinha que quase sempre encerrava os bailes em que eu participava. “Ai…Ai…Ai… ‘Tá’ chegando a hora,
o dia já vem, chegando meu bem
Eu tenho que ir embora…”
Porque embora com tantas mudanças que tivemos durante décadas e décadas… Será Sempre Carnaval…
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