Simpatias de final de ano

Trabalhava no Centro de Sampa, lá na XV de Novembro, com a minha equipe de técnicos, onde dávamos manutenção e instalação de máquinas de telex. Nosso pessoal saia todos os dias para as agências junto com o pessoal que cuidava da rede de telefonia. O Sr. Sebastião Bandeira era quem comandava a turma dentro da perua. 
 
Em uma tardezinha quando retornaram do trabalho em campo, o Wilson comentou que eles haviam passado no Ceagesp a pedido do nosso diretor para comprarem a fruta “romã”, que ele iria fazer uma simpatia. Com nove sementes você as embrulhava em uma nota de um cruzeiro e guardava dentro de sua carteira. E por milagre esse “patuá” iria chamar dinheiro o ano todo para você, sua carteira sempre teria dinheiro e nunca ficando vazia. Tudo arrumado, as “romãs” estavam em cima da bancada e o Roberto desceu até o térreo da agência para trocar o dinheiro por notas de um cruzeiro. 
Finalmente tivemos o nosso “patuá” dentro das nossas carteiras aguardando as boas novas para aquele ano. Na segunda-feira daquele ano, os técnicos de telefonia disseram que haviam trabalhado naquele final de semana, instalando um pbx na nova residência do nosso diretor, lá no Planalto Paulista, uma tremenda mansão. 
 
– “Puxa vida!”, disse o Roberto, “Não é que o ‘patuá’ dele funcionou”. Aí saímos à procura dos nossos “patuás”. O meu nem sei onde foi parar; o Roberto disse que perdeu a sua carteira; o Walter disse que em um final de expediente aguardando a perua com aquele sol escaldante não teve duvidas, comprou um sorvete com o dinheiro que tinha na carteira que era o “patuá” (não havia mais nenhum tostão furado na sua carteira); o Silva havia dado para o seu filho que pediu um trocado para comprar bala no recreio da escola… Enfim, acreditamos que não havíamos dado tanta importância para a simpatia da romã, mas em compensação o nosso diretor deve ter tido mais fé do que a gente (risos). 
 
Falando em “fé”, lembrei-me de uma anedota – anedota quer dizer piada – é uma palavra lá da minha época (risos novamente). Um padre em sua peregrinação, andando por uma estrada reparou em um caminhoneiro sentado a beira da estrada com o seu caminhão com o motor aberto, dizendo a ele que tinha pifado. 
-“Vamos dar uma olhada”, disse o padre.
– “Mas o senhor entende de mecânica?”
– “Filho a fé remove montanhas. Retire aquele fio vermelho e jogue fora.”
– “Mas padre ele faz parte do distribuidor e é muito importante”, disse o caminhoneiro. E o padre perguntava se ele não tinha fé. E lá vai ele tirando fio e peças a pedido do padre que cada vez que ele retrucava o padre perguntava se ele não tinha fé. Entre na cabine e de partida. E lá foi o motorista todo desconfiado e deu a partida no caminhão. E, para sua surpresa, o motor começou a funcionar! No que ele tirou a cabeça fora da cabine disse “Vai ter fé assim lá na… (risos)”. 
 
E vocês já fizeram o seu “patuá” para o ano de 2014? Tenha fé como o nosso diretor…