Sexta-Feira no Bom Retiro

São Paulo sempre foi aos meus olhos um lugar fascinante, andar pelas ruas por si só já é uma experiência reveladora, pois no caminhar é possível ver todo tipo de pessoas e em algumas datas especialmente isso se torna mais e mais evidente. Um desses fatos ocorreu pela primeira vez comigo no meu último dia de vestibular em 2006. Na época eu era morador da cidade de Osasco, mas as provas sempre ocorriam em algumas universidades particulares de SP. O terceiro e último dia de prova caía numa sexta-feira e ao sair do prédio olhei desanimado o número de pessoas que se dirigiam pras estações de trem/metro mais usuais. Peguei o metrô e ao contrário do usual rumei até a Luz por ser um lugar que me inspirava muito e me atraia de certa forma. Desci na estação e saí para a entrada da estação, onde me deparei com o esplêndido Parque da Luz. Era por volta das 18h e ainda estava relativamente claro por estar no verão, então atravessei o parque e continuei andando, logo estava em frente a uma praça chamada Coronel Fernando Prestes, perto da Fatec e também do metro Tiradentes. Dali, com o começo da noite, pude avistar uma movimentação de pessoas nos bares da região e seguindo o movimento me dei conta que estava realmente no coração do Bom Retiro. É possível ainda ver muitos rostos orientais e especialmente na sexta, contrariando a lógica de que os coreanos são o único povo que sobrou no bairro, pude avistar alguns judeus com suas roupas pretas, seus chapéus sobre a cabeça e também suas longas barbas. Foi um momento interessante, porque pelo menos onde moro nunca havia visto tantos judeus vestidos ao rigor da ocasião. Me deixei seguir um pequeno grupo e descobri que rumavam a uma sinagoga, acabei compreendendo o movimento por ser uma sexta-feira… Depois dessa visita quase que espiritual ao coração do bairro, me interessei mais pela cidade.

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