Hoje vou lhes contar o que penso do serviço público. Desde que comecei a pensar por mim mesmo e tentar ser gente, entendia que ser um funcionário público era servir ao representante do poder constituído. Associava o servidor aos símbolos nacionais. O hino, a bandeira, o brasão de armas, o selo nacional. Cedo nas escolas ensinavam a respeitar esses símbolos, a defendermos a pátria, a desfilar no dia 7 de setembro nas paradas comemorativas da semana da pátria. Convocados para o desfile da escola seria uma honra. Participar do fanfarra escolar, um privilégio para poucos. Com este espírito patriótico servia à escola treinando meus conhecimentos para no futuro ser um funcionário público de carreira. Era tão difícil ocupar um posto de chefia que parecia ser um sonho impossível. Pois comigo este sonho como todos os que já sonhei se tornou realidade. Esta ocasião tornou-se de uma hora para outra uma possibilidade. Quase não conseguia esperar que o fato ou o ato de nomeação viesse a me acontecer. Foi então no ano de 1974, uma secretaria de estado recém-criada para acomodar um homem da comunicação (o rádio), principalmente, oriundo de um partido da oposição. Um fato raro, imponderável, acontecia. O titular, um jornalista aqui do meu estado, era elevado ao cargo de 1º escalão; não podia, entretanto, um homem deste quilate, ocupar a pasta sozinho. Precisava de companheiros para que fosse possível dar vazão e sentido àquela nomeação. Em uma secretaria de estado, o 2º cargo é ocupado pelo Chefe de Gabinete; paralelamente a este grau ainda há um terceiro posto, o de 3º escalão. O sonho se realizava; necessitando a secretaria de um orçamento para fazer face às despesas de pessoal com gratificação pessoal e demais despesas para funcionamento do órgão, alguém precisava elaborá-lo para posterior aprovação, a ser gasto através dos empenhos (documento oficial) para ser executado o orçamento previsto. Tudo corria maravilhosamente bem, sendo tal pasta um grau de importância e representação dignos de nota. Um acidente aéreo pôs fim e ao cabo todo o sonho daquele funcionário público. Completou-se então onze meses e alguns dias. Do mesmo modo que fora nomeado, era agora exonerado pelo mesmo chefe do Poder Público. Não era possível. Como poderia aquele sonho ter se tornado realidade meses antes e depois disto, do acidente, acabar-se com tudo se esvaindo como um castelo de areia? Foi a partir do acidente de 30-08-75 que o titular da pasta foi sepultado com honras de chefe de estado e com direito a salva de tiros. Acontecera. Um dia e após outro de muita chuva, numa viagem de transporte aéreo, a nave tinha se chocado em um monte de Joaçaba, terra natal do falecido, descendente de família romena. Estamos falando de um dos maiores jornalistas do rádio catarinense com um Programa chamado de "Vanguarda" na Rádio Diário da Manhã, atualmente um ramo da atual CBN Notícias. Esta foi uma parte da história que viveu um ex-funcionário público, que tendo tido a oportunidade de mostrar seu valor e entender o que se passa pela cabeça de um sonhador e aventureiro na cidade de São Paulo, depois do regresso, frustrado, voltara e passar por uma nova e saudosa experiência. Isto posto, penso que a experiência tenha me valido viver de perto o serviço público, ainda que não seja em uma pasta essencial como a da educação e a da saúde pública. O nome desta secretaria? Secretaria Extraordinária para os assuntos da imprensa. O cargo do autor desta história: chefe da unidade de apoio administrativo.
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