Sexta-feira passada descobri que um ônibus intermunicipal pode ser excelente local para se avivar a memória e extrair dela ótimas passagens.
Estava eu retornando de uma viagem profissional à Brodowski (terra natal de Candido Portinari) quando o ônibus parou para descanso em Pirassununga, e eu desci, tomei um café e, depois, resolvi comprar um jornal para ajudar a matar o tempo.
Jornal nas mãos, retornei ao coletivo e me acomodei para ler o noticioso. Como faço sempre, li primeiro o caderno esportivo, depois o caderno de variedades e, por fim, o caderno principal.
Devoradas as notícias, e ainda muito distante da minha São Paulo, comecei a esmiuçar as folhas impressas na busca de notícias que pudessem ter passado despercebidas. Foi então que me deparei com a seção de obituários. Na minha idade, evito ler esse tipo de informação para não me preocupar com o “lucro” que já tenho creditado pela vida, mas, faltando o que ler para me entreter, comecei a ler o nome dos falecidos.
Deparei-me, então, com o nome de Luiz Megiolaro. Depois da surpresa e do sentimento de tristeza que apertou meu peito, lembrei muito desse amigo bixiguense.
Ele, o irmão Nelson (que também já se mudou para o andar superior) e um primo deles, o Francisco, eram proprietários do BAR E LANCHES URUPÊS, localizado na esquina das ruas Major Diogo e São Domingos.
Esse bar era, por assim dizer, a extensão da minha casa e da casa de muitos amigos da época.
Ali se encontravam diariamente, para falar um pouco de um tudo, eu, o Mingo, o Wagner, o João Fonseca, o Alfredo (meu pai), o Vavá, o Haroldo da farmácia, o Biaggio, o Espanha, o Armandinho (jornaleiro da esquina), o Pereira e muitos outros.
Os falecidos Luiz e Nelson eram palmeirenses até na raiz dos cabelos e com eles tive grandes diálogos esportivos.
Sobre o Luiz em crônica anterior eu já havia falado, era com ele que fazíamos anualmente nossa peregrinação das sextas-feiras santas à Penha e, também era na casa dele que comíamos a macarronada ao molho de bacalhau feito pela sua esposa Da. Isabel.
Depois do choque, a memória voltou lá para os anos 60 e as imagens começaram a surgir, via toda a turma no bar, conversando sobre os mais diversos assuntos, vi na Rua São Domingos a Farmácia, a quitanda da japa onde além de comprar os variados produtos granjeiros a gente fazia a fezinha diária no bicho, vi a vila onde morava o Luiz Loschiavo (Zinho) e sua família, que era formada pela mãe Da. Irene, ele e seus irmãos (Chininha – Catharina, o Zezinho, o Toni e a Rosa Maria). Vi a tinturaria do Urias e junto com todas essas memórias vi a saudade chegar e apertar com força meu coração.
É muito bom lembrar mesmo sabendo que nossas lembranças não podem mais se materializar.
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