Pegávamos o trem às 7h 10min pontualmente na estação Água Branca, todos os dias, pois trabalhávamos no centro da cidade. Eu na Rua Santa Efigênia, em uma loja de roupas. Jabá em uma ótica; Lucio, em uma loja de calçados; Bento e João Paulino na Drogadada da Cásper Líbero. Pixorró e Dirceu na Gazeta Esportiva. José Rogrigues em uma loja de máquinas na Rua São Caetano. Todos confortavelmente acomodados nos bancos chegávamos à estação da Luz e cada um pegava o seu rumo. <br><br>Era comum nos reencontrarmos no centro da cidade, já que quase todos eram office-boys. Na época, vários eram os artistas que se apresentavam no centro: Fakir Silk no Largo Paisandú, quase ao lado tinha a mulher que virava gorila. No largo São Bento, sede da Portuguesa de Desportos, era comum encontrarmos Julinho, Brandãozinho, Djalma Santos. Todos os craques da seleção brasileira. O deleite mesmo era passar em frente aos teatros e cinemas que havia na Avenida São João onde as vedetes estavam expostas em fotos de corpo inteiro, que me lembro eram: Angelita Martines, Nélia de Paula, Renata Fronze, Virgínia Lane, Mara Rubia. Elas faziam o delírio da molecada. Eu tinha de 12 para 13 anos e rolava o ano de 1954. <br><br>Na Galeria Prestes Maia, outros craques famosos faziam ponto como: Mauro Ramos de Oliveira, Gilmar dos Santos Neves… Todos muito bem vestidos: terno, gravata e cromo alemão nos pés. <br><br>Quando Pixorró me levava na redação da Gazeta Esportiva, não cansava de admirar os monstros sagrados da crônica esportiva como: Tomás Mazoni, Paulo Planet Buarque, Orlando Duarte, Solange Bibbas, todos descontraídos, às vezes até mesmo brincando com bolinhas de papel. <br><br>Os times grandes de São Paulo jogavam sempre as quartas-feiras à tarde com o Nacional Atlético Clube da Comendador de Souza. Quando já estava lotado o estágio, o porteiro, que nos conhecia, dava uma colher de chá ou pulávamos o muro nos fundos, já que o dinheiro era curto. Assim podíamos admirar os grandes craques da época como Jair da Rosa Pinto, Humberto, Rodrigues, Oberdan Cattani, Bauer, Luisinho, Claudio, Baltazar, etc… <br><br>Nos bairros existiam muitos cinemas. O nosso era o cine Clipper na Freguesia do Ó, onde podíamos apreciar os grandes astros do cinema nacional e internacional. Aos domingos, antes da matinê, tinha o programa do Júlio Rosemberg, com cantores e cantoras da época. Isso se passava em apenas uma semana para aquela garotada dos anos 50! Será que sonhei?<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>