Ser Feliz

Faz um mês que minha primeira crônica apareceu neste site. Com ansiedade aguardei que esse dia chegasse… Se soubesse que seria alvo de tantos comentários gentis e simpáticos a minha ansiedade talvez tivesse sido maior.<br><br>As palavras são como as coincidências. Se não chegarem naquele determinado momento, muita coisa se perderá. Eu estava de peito aberto, sedenta de uma palavra amiga e eis que aquela lacuna foi totalmente preenchida. Quando se muda de residência, como eu mudei há seis anos, de Perdizes para o Brooklin, a gente se sente órfã. Pela terceira vez na vida, eu me vi sem raízes. <br><br>Todas aquelas pessoas que por tantos anos eu convivi, cujos filhos eu vi crescer junto com os meus, que participaram de noitadas inesquecíveis de violão, primeiro como protagonistas e depois como espectadores de seus (nossos) filhos, sumiram. Aliás, foram sumindo aos poucos. Assim, como nós.<br><br>Um dia resolvemos mudar para uma casa que há tempos estava a nossa espera. Alugamos o apartamento e viemos. Não!!! Viemos e depois alugamos nosso apartamento. Nesta simpática rua onde hoje moro, só conheço a vizinha do lado. Sei que existe vida nas redondezas, devido ao latido dos cães. <br><br>O Dado, meu cachorro que minha filha pensa que é dela, tem para mim o mesmo significado que o Erasmo para o Roberto Carlos: é meu amigo de fé, meu irmão, camarada. Ele é meu companheiro, desbravamos juntos, e a pé, este bairro e seus pequenos detalhes que o faz bastante especial. <br><br>Avenida Morumbi, Santo Amaro, Roque Petroni e seus dois shoppings, ficam a dois ou três quarteirões de onde moro. Na Joaquim Nabuco, aqui pertinho também, há uma semana houve a Brooklin Fest. É uma festa alemã que acontece duas vezes por ano: Maio e Outubro, com muita cerveja, salsichão, joelho de porco, chucrute, doces maravilhosos, artesanato e um palco improvisado com muita música ao vivo, dança e cantoria. Ah! Sempre comparece também um senhor com o seu realejo!<br><br>Depois de nossas andanças, eu e o Dado, voltamos para casa. Quando entro na minha rua, tão vazia de gente, realmente não é bom. Porém, quando entro na minha casa e passo pela sala alegre e aconchegante, à cozinha que é tão clara e grande, lugar preferido de todos e também das visitas, vou para meu quintal florido onde bate sol o ano inteiro e deito na rede onde leio, escrevo, ouço música, toco violão e penso… Independente dos bairros em que vivi, a felicidade é um estado de espírito, ajudada pela nossa concepção do que é ser Feliz.<br><br><br>E-mail do autor: [email protected]