Sears Roebuck

O Natal começava pra gente no dia 1 de Dezembro, pois este era o dia em que íamos à Sears, no início da Av. Paulista, ali onde hoje se encontra o Shopping Paulista. Meu pai chegava em casa mais cedo, nós já estávamos prontos, eu de vestido novo, meu irmãozinho todo arrumadinho e de cabelo penteado. Íamos à pé, subindo a ladeira do Paraíso, passando pela mal-cheirosa cervejaria Brahama, dando uma paradinha na palelaria Caratin, onde eu comprava os meus humildes cartõezinhos de Natal, os quais me pareciam tão lindos.

Dali, passando pela Praça do Índio (uma estátua de um índio com um arpão tentando pegar um peixe dentro do laguinho), chegávamos à Sears, toda enfeitada para o Natal. Subíamos para o quarto andar, onde os brinquedos se encontravam, e ali passávamos momentos mágicos, sonhando com o que Papai Noel poderia nos trazer.

O mais estranho é que ele nunca trazia nada daquilo, só uns carrinhos para o meu irmão e uma bonequinha para mim. Mas assim mesmo sonhávamos, corríamos em volta de tudo, até que meu pai cansado e com fome nos chamava para ir comer no barzinho ao lado. Sempre pedíamos salsichas no espeto. Que delícia que eram aquelas salsichas!

Depois das salsichas com guaraná, tomávamos um sorvete bem grande ou comprávamos um pacote de pipoca na porta da Sears. Vínhamos embora para casa comendo a pipoca e eu toda feliz com meus cartões de Natal. Meu irmão ganhara um pacotinho de cavalinhos plásticos ou um soldadinho.

A lua sempre aparecia, branca e muito redonda, a gente até via estrelas nos céus de São Paulo. Estávamos cansados, porém muito felizes. Vínhamos pulando e sentindo que tudo era Natal.

Em casa ainda podíamos abrir o panetone e pegar um pedacinho antes de ir dormir. O Natal havia começado mesmo!