Contar um pouco da história de São Paulo antiga é fácil, para quem sempre viveu por aqui! Nasci em Santo Amaro, no dia 21/04/1928 e por questões familiares e econômicas (revolução de 1924) passei por diversos bairros de nossa querida cidade…
Mudamos para Rua Labatut, no Ipiranga, lugar de terra, onde brincamos na infância, com quatro irmãos homens mais uma dúzia de primos: depois fomos para Rua Galvão Bueno e em seguida Travessa Ruggiero, na Liberdade, local em que desfrutamos nossa juventude. Em seguida, passamos para Rua Bom Pastor, pois nossa moradia era dentro do Cinema Ipiranga Palace, porque o mesmo pertencia ao meu tio – Mansueto De Gregório (hoje homenageado com nome de rua, naquele bairro), e o meu pai era administrador, ocasião em que eu já trabalhava como baleiro nas sessões…
Mais uma mudança, para Rua Cubatão (Paraíso), até conhecer formosa moça em um piquenique na represa de Guarapiranga, em 1950 e, após dois anos de namoro e noivado, casei e radiquei-me na Mooca, local de seu endereço e hoje mui querido por nós, pois por aqui estou há 57 anos!
Nesta andança de lugares, observo quantas modificações já ocorreram… Por exemplo: no Ipiranga, tomávamos banho no Rio Tamanduateí, limpo, repleto de peixes; no museu, catava coquinhos e montava alçapão para apanhar passarinhos, enquanto estudava no Grupo Escolar José Bonifácio, na antiga Rua da Viação, e hoje, local próximo da Praça Nami Jafet.
Na Rua Galvão Bueno e no seu entorno não existia a colônia japonesa, apenas poucas famílias orientais. Que saudades das missas na Igreja Nossa Senhora da Paz e a memória circula também pela Fábrica de cigarros Sudan, Parque Shangai, Quartel da Aeronáutica, Escola Carlos de Carvalho, onde nossas andanças eram feitas a pé ou por bondes, inclusive no tempo de namoro… percebendo-se que não havia problemas de trânsito, poluição, violência.
Depois que me fixei na Mooca, apreciava passear na Avenida Paes de Barros, admirando palacetes e moradias espetaculares de famílias de posses, sendo a maioria descendentes de imigrantes italianos, portugueses, espanhóis e lituanos. Alguns lugares sempre serão lembrados, tais como: Cotonifício Rodolfo Crespi, Abott Laboratórios do Brasil (local de trabalho da minha esposa), Colchões Epeda, Indústrias Mattarazzo, Açúcar União, Calçados Clark, Refinadora Mineth Gamba.
Morar aqui é ótimo, pois as famílias se conhecem, as pessoas se cumprimentam, é fácil ganhar novos amigos! Além de tudo, o bairro possui hospitais, universidades, doceiras famosas (Di Cunto, Modelo), shoppings, clubes, buffets, mercados de grande porte. Penso, no entanto, na ganância de algumas construtoras, que deveriam respeitar e também conservar características próprias deste lugar maravilhoso e não alterar o que foi construído com tanto amor e trabalho – sobrados, vilas, escolas, indústrias…
Valeu, São Paulo! Por tudo isso, meu muito obrigado…
e-mail do autor: [email protected]