Saudades, não há dinheiro que pague

Anos 50/60 estava surgindo um conjunto musical de Liverpool (Inglaterra) uma raridade totalmente diferente daquilo que já existia. Nome: The Beatles. <br><br>Nasci no bairro da Mooca, em São Paulo capital. Jogamos nossas peladas nas ruas da Mooca Baixa, como era chamado o bairro. Um dia, um amigo inventou umas traves de 1 m de largura por 1 m de altura, colocou redes e começamos a jogar futebol com uma trave bem menor do que a original. Era muito legal, o Corinthians tinha sido o campeão do IV Centenário do Futebol Paulista, empatando com o Palmeiras (1×1), no Estádio do Pacaembu. O empate favorecia o Corinthians, que tinha Gilmar, Olavo, Alan, Idario, Goiano e Roberto Belangero, Claudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Simão, claro, os meus amigos mais antigos lembram-se de melhores detalhes. <br><br>Nessa década, surgia um menino de 17 anos, no Santos, de nome Edson Arantes do Nascimento: Pelé, que mudaria de certa forma o futebol brasileiro e o futebol paulista. Acredito que tenha sido o maior momento do futebol brasileiro onde, tranquilamente, se faria dois ou três seleções no futebol brasileiro com capacidade para ser a campeã do mundo. Não daria nem para sonhar com um comparativo de hoje. Nessa época, e com muitas tristezas e lágrimas, vi os craques terminando suas vidas sem ter onde morar e, muitos, por estarem sozinhos e sem dinheiro para conseguir se manter, iam apagar suas mágoas no álcool e muitos terminaram só, doentes, sem ter o que comer. Presenciei vários fatos dessa natureza. Ainda não existia uma grande mídia como existe hoje, ou seja, a máquina de criar dinheiro, a máquina de criar jogadores de futebol e a máquina de criar cantores e artistas, onde tudo o que se faz se visa só o dinheiro, exemplo: seleção de 50, 54, 58 e 62. Neymar, que hoje é o nosso ídolo, e que é um jogador diferenciado e produzido não jogaria naquelas seleções, ano 1975. <br><br>Eu comercializava sucatas e conheci um diretor de um clube de nome União de Mogi das Cruzes, inclusive foi onde começou o garoto Neymar. Um dia, estava com este diretor que me disse: “Chico, você conheceu o Baltazar, ou seja, (o cabeçinha de ouro) do Corinthians?” e eu disse: “Poxa, quem não conheceu este ídolo do futebol”, ele me disse: “Então venha conhecê-lo pessoalmente, pois hoje ele é o técnico do Mogi”. Chegando à frente daquele senhor, eu chorei, ele me abraçou e também seus olhos encheram de lágrimas ele é uma pessoa 1000%. Ficamos conversando por um tempo. <br><br>Conheci também, tempos depois, na Rua Caetano Pinto, o Sr. Dino Sani, um volante que jogou no São Paulo, Corinthians e fez dupla de meio campo com o Rivelino. Jogou também com o Sergio, japonês, no Corinthians, o Dino chegou a ser técnico no Japão por muito tempo. O Riva também foi técnico no Japão. Quando, hoje, vemos jogadores desta categoria passando por necessidades financeiras acho que os profissionais deveriam se reunir e não deixar isso acontecer, pois, se o futebol é reconhecido hoje é por causa desta velha guarda e magistral capacidade dos jogadores antigos em serem tão maravilhosos e espetaculares, mas infelizmente, tem-se um raciocínio errado sobre determinadas coisas do tipo: “o bolo é bom quando todos conseguem comer um pedacinho por menor que seja”. Abraços, Chico da Barão Cabalin. <br><br><br>E-mail: [email protected]