Saudades do meu velho Cambuci

Hoje, lendo estas histórias maravilhosas publicadas com muita seriedade, com fatos marcantes e com lembranças deliciosas, me bateu aquela saudade dos meus tempos de meninice. Tempos estes que vivi no Cambuci, onde tudo já está diferente. Ficaram os momentos, as situações engraçadas e as pessoas que ficaram marcadas no nosso coração.

Relato aqui meu trajeto de criança.

Recordo-me das minhas professoras; algumas eram enérgicas, mas todas eram "mãenzonas" da gente, pois todas tinham cuidado com suas crianças.

Eu, minha irmã Sandra e meu irmão Vanildo, íamos todos os dias para o parquinho da Avenida Lacerda Franco. Todos de uniforme: calção vermelho, camiseta branca e sacolinha azul. Tínhamos diariamente as nossas atividades, nossas brincadeiras e a hora do lanche, que aguardávamos com ansiedade. Recordo-me da Dona Berta (diretora), Dona Vera, a Dona Floripes, o Seu Albino, Dona Lizinha, e tantas outras pessoas amáveis…

Voltávamos para casa sempre brincando. Subindo Avenida Lins de Vasconcelos, próximo a Doceria Santa Clara, existia uma vila de casas, e no quintal de uma delas tinha uma goiabeira. Certo dia, pulei o muro com meu irmão Vanildo, que na época deveria ter quatro anos, e disse a ele que não fizesse barulho, pois eu iria subir no pé e apanhar as goiabas. Quando me encontrava em cima da árvore, o Vanildo começou a gritar apavorado. Estava aterrorizado, pois a pedra que ele sentou começou a se movimentar, e ele nunca havia visto tal coisa. Desci correndo da árvore e a proprietária da casa saiu no quintal para verificar o que tinha ocorrido. Meu irmão gritava e chorava, pois ele havia se sentado em cima da tartaruga da mulher. A senhora deu água com açúcar para o meu irmão e levei uma bronca daquelas.

Hoje é cômico, mas no dia fiquei apavorado.

Fiz o primário no Grupo Escolar Gomes Cardim e muito aprendi com minhas professoras do 1º ao 4º ano (Angelina, Jacira, Lourdes Lia e Olga). Fiz o Ginásio no JESC – João Ernesto de Souza Campos, e no Oscar Thompson.

Não esqueço do domingo em que fui assistir Help – The Beatles, no Cine Riviera. Que loucura que foi.

Era moda ficar na porta da Lanchonete A Chapa, na esquina da Rua Heitor Peixoto com a Avenida Lins. Tenho saudade dos meus amigos.

Tudo passou: já não moro no meu Cambuci, pois tudo tem o seu tempo. Hoje, com 54 anos, continuo brincando… com meus netinhos (que delícia!), que estão com a idade de quando fui apanhar goiabas e meu irmão conheceu uma tartaruga…

Saudades do meu velho Cambuci.

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