Nasci no Campo Belo em maio de 1958, na Rua Amazonas 1537; hoje Rua Dr. Jesuíno Maciel 1601 (sobradinho que hoje é de uma dentista). Lembro-me que a Rua 23 de maio ainda não existia e todo o trânsito de veículos que deveria passar em frente ao aeroporto foi desviado para a Rua Jesuíno.
Vi a poucos metros e passando em frente a minha calçada, o presidente da França Charles de Gaule e em outra oportunidade o Senador Bob Kennedy e tantos outros que desceram no aeroporto naquele período da construção da Ruben Berta.
Bem antes deste período, vi quando asfaltaram a Rua Jesuíno Maciel, pois a Vieira de Moraes era a única rua asfaltada, ao lado da minha casa tinha o campo da Ponte Preta e meu pai jogava neste time…
Meu tio construiu a ponte de madeira que ligava a Rua Amazonas com a rua invernada, sobre o córrego para as pessoas que iam ao aeroporto, pois no começo da Rua Jesuíno havia a estação de tratamento de esgotos e a lagoa, onde hoje é o quartel da policia militar/ bombeiros.
Estudei no Grupo escolar do Aeroporto que, a partir de 1967, passou a ser Ilka Jotta Germana. Estudei também no Chiquinha Rodrigues e Manoel de Paiva. Quando criança, ia à padaria Presidente para comprar pão e leite e subia um morro que ligava a Jesuíno Maciel com a rua Machado de Assis, hoje Rua Pascal.
Passava ao lado da casa do Tarcisio Meira e Gloria Meneses. Aliás, seu filho Tarcisinho muitas vezes jogava bola na rua com a molecada da Machado de Assis… Quem não se lembra da sapataria do Cabral, do Supernac, do Banza , do Snobs hambúrguer, do campo do Cynar, das chácaras na Rua Zacarias de Goes , próximo ao Córrego da Traição, da ponte para a Vila Helena, do incêndio na igreja do Guadalupe, das feiras livre as quartas na Cristóvão Pereira e no sábado na Rua Piracicaba…
Quantas vezes ia arrumar a bicicleta no Amadeu na Rua Rui Barbosa e depois atravessava a ponte de madeira sobre o ao Córrego da Traição, ao lado da casa de força na Rua Pirassununga, do Clube Bamberberg…
Quando era adolescente meu pai permitia ir ao Banza, mas não gostava que fosse jogar fliperama no bar Chaparral ao lado… No dia 10 de maio de 1972 inaugurou o Jumbo aeroporto, antes lá existia o depósito de mercadorias das lojas Mappin e, antes do Mappin, era os estúdios de cinema da Vera Cruz, se não me engano. Na Rua de Cima, a Nhú-Guaçu tinha até avião pousado em terreno vazio na escola de pilotagem da VASP…
Todas as ruas eram de terra e uma terra bem vermelha. Da janela de meu quarto, na Rua Jesuíno Maciel, podia ver lá longe o letreiro luminoso do "JEPP" no Conjunto Nacional na Av. Paulista, esquina com a Rua Augusta. Não tinha nenhum prédio… Dava para ver até onde a vista alcançava. E este era o Campo Belo! Tão belo quanto hoje…
Só para finalizar : nas esquinas das Ruas Cristóvão Pereira com a Frei Gaspar, hoje Grabielle Danuzzio, existia o campo do Cynar, que era também do clube alemão, onde os alemães jogavam bolão, uma espécie de boliche. Pois bem, não sei quem fez o primeiro jogo naquele campo, mas, com certeza, posso afirmar que participei do último jogo de futebol realizado naquele campo… Foi em um sábado de 1980, nem lembro qual mês.
Eu jogava no gol do Caramuru de Indianópolis e jogávamos no sábado a tarde. Para nossa surpresa, quando chegamos ao campo já haviam descarregado diversas ripas de madeiras para começar uma demarcação do terreno e também a construção dos alojamentos dos trabalhadores da obra.
Diante de tudo aquilo esparramado, bem em cima da grande área do gol de cima, na Frei Gaspar, ficava praticamente impossível de fazer um jogo naquele campo e com certeza iríamos somente ver o fim e não jogar o ultimo jogo… Foi quando então o presidente do Caramuru, o Senhor Nim, uma pessoa que só me dá saudades, com a sua coragem e determinação de sempre não aceitou aquela condição e travou uma guerra verbal com os vigias da obra e por final conseguiu que o campo fosse liberado.
Feito o último jogo, me lembro que eu, meu irmão o Betinho, o Arnaldo Melo Santos, o falecido lateral esquerdo Deí, o Waldir, ex-goleiro profissional da ferroviária, o Neno, o Ditinho, os irmãos Silvinho e Roberto Baraldi e o Claudino, filho do seo nim, todos nós trabalhamos para tirar aquelas madeiras de campo e fazer o "último jogo no campo do Cynar".
Foi um misto de tristeza e alegria, mas é a vida, é o progresso… Se eu for ficar lembrando as coisas do bairro ficaria o dia inteiro ficarei escrevendo… Um abraço a todos…
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