Saudades do aeroporto de Congonhas de antigamente

Meu nome é Helen Esther Moon Morosov. Sou norte americana naturalizada brasileira, com muito orgulho. Minha história de amor por esse país começou no Aeroporto Internacional de Congonhas, na cidade de São Paulo, no dia 15 de janeiro de 1958, quando desembarcamos no Brasil. Meus pais e sete dos nove filhos, após vinte e quatro horas de vôo num avião da Varig, vieram de mudança dos Estados Unidos da América. Eu tinha apenas três anos e meio, uma das mais novas da família.

Naquela época, Congonhas era o aeroporto internacional da cidade. Os aviões de médio porte pousavam na pista e andávamos da aeronave até a porta da alfândega. Fomos bem recebidos pelos funcionários do aeroporto e tratados com carinho e respeito. Congonhas foi nossa primeira impressão da hospitalidade do povo brasileiro.

Congonhas dos anos 60 era um ponto turístico. Quantos sábados e domingos à tarde meus pais nos levavam para observar os pousos e as decolagens dos aviões. Comprávamos pipoca, algodão doce ou maçã do amor e ficávamos debruçados no terraço superior do aeroporto encantados com tudo que víamos. Ao nosso lado muitos paulistas faziam o mesmo. Todo mundo bem vestidos: famílias, casais de namorados e amigos. Ninguém tinha qualquer viagem marcada, estavam apenas desfrutando das atrações que Congonhas oferecia.

Entre o terminal e o pátio das aeronaves havia um bem cuidado jardim.

O restaurante principal do aeroporto era de luxo. Às vezes jantávamos lá em família, tendo ido ao aeroporto apenas para esse fim.

Muitas obras de arte eram expostas nas paredes, painéis grandes de mármore.

Os bancos onde passageiros e acompanhantes aguardavam eram de madeira maciça e confortáveis.

Quantas vezes, ao aguardarmos a chegada de parentes ou amigos, eu e meu irmãos brincávamos de jogos que inventávamos no piso xadrez do saguão. Às vezes só podíamos pisar nos quadrados pretos, outras vezes somente nos brancos. E assim passávamos o tempo.

Com algumas incertezas nos correios da época, ou talvez dado a urgência de enviar uma correspondência, acompanhávamos meus pais a procura de um viajante que concordasse em levar uma carta e colocar no correio no exterior. Sempre encontrávamos um gringo bem disposto e depois tomávamos um guaraná na lanchonete.

A livraria era outro ponto favorito. Tratava-se de um dos poucos lugares onde se comprava revistas, jornais e livros internacionais. Não foram poucas as vezes que íamos a Congonhas somente para vasculhar as novidades na livraria. E muitas vezes dávamos de cara com personagens importantes no local: Janio Quadros, Silvio Santos, Pelé, etc.

Tenho saudades daquela época… Saudades daquele Congonhas que era imponente e ao mesmo tempo simples e descomplicado… Saudades do aeroporto tranquilo, onde todos se sentiam à vontade. Havia um certo encanto que hoje não existe mais…

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