Saudades daquelas ruas

Sou neta de italianos, como grande parte da cidade de São Paulo. Passei os meus primeiros 8 anos de vida no bairro do Brás na zona leste da cidade. Lá na Avenida Celso Garcia é que fazia meus passeios com meu avô Bruno Hippolitto Bussili. Meu avô nos mostrava o prazer de andar por aquelas ruas e às vezes pegava seu carro e nos mostrava as fábricas com tijolinhos vermelhos com as chaminés esfumaçando um cheirinho que só lá tinha. As tardes daquelas ruas, que ainda tinham cortiços pelos arredores, cheiravam a café moído na hora, a bolacha sendo assada. Meu avô fazia questão de manter tradições, era capaz de morrer se visse uma bela macarronada ser picotada pelos talheres, gostava de mesa posta o dia todo para que todos que fossem chegando pudessem desfrutar também.
Meu avô faleceu em 24 de abril de 2005, um dia após o aniversário de minha filha, com 89 anos de idade, hoje se me perguntarem algum fato que ocorreu um mês atrás, não vou conseguir me recordar, mas a minha infância foi marcada por pessoas que eram muito felizes, de amigos que sabiam manifestar carinho um pelo outro, como se fossem irmãos e talvez por que aquelas ruas tinham um forte sorriso, um cheirinho doce, nunca me esquecerei… Agora, quando tenho que me lembrar do meu avô, não só me lembro como volto àquelas ruas e consigo recordar até os aromas.
Meu nome é Alessandra Bussili, tenho 34 anos e tenho dois filhos. Com muito orgulho, digo que amo a família que tenho, inclusive os que não estão mais por aqui. Fica aqui minha homenagem àquelas ruas, ao meu avô e a todos que ali passam todos os dias e que sentem hoje o que sinto, tanta saudade por já ter sentido um dia. Hoje sou feliz…

e-mail da autora: [email protected]