Saudade, o teu nome é Cambuci

Da história da cidade
Ressaltam cenas que eu vi
Como é rica esta saudade
De raiz no Cambuci!

Bordadeira senão fada
Saudade, na tua mão
Tens uma agulha encantada
Ou varinha-de-condão?

Borda, Saudade, o passado
Na tela cinza do agora
Em fino fio dourado
Desenha nela uma aurora

Transmuda o hoje em instante
Dos tantos que há guardados
E faz da luz mais distante
A franja dos teus bordados

Traz a rua em que eu nasci
Ao rumo que têm meus passos
E aqueles com os quais vivi
Coloca-os entre os meus braços

E que eu caminhe por ela
Em horas do entardecer
Entre as lembranças singelas
Daquilo que pude ter

Posto assim tão-simplesmente
No plano imaterial
Todo o passado é presente
E todo bem é imortal

Bordadeira, senão fada
Saudade, na tua mão
Tens uma agulha encantada
Ou varinha-de-condão?

Trouxe a Saudade, bordados
Ou redivivos, não sei
Neste Dia de Finados
Alguns dos entes que amei

Trouxe meu pai que, sorrindo
Abençoou-me e abraçou
E eu pude vê-lo partindo
Sentindo que ele ficou

Borda, Saudade, o passado
Na tela cinza do agora
Em fino fio dourado
Desenha nela uma aurora

Transmuda o hoje em instante
Dos tantos que há guardados
E faz da luz mais distante
A franja dos teus bordados

Posto assim tão-simplesmente
No plano imaterial
Todo o passado é presente
E eu próprio sou imortal.

E esta imortalidade
Que me funde ao que vivi
Fê-la o calor da Saudade
Cuja forja é o Cambuci

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