Sapopemba – Vida na avenida

Imagens em transição na periferia. Poucas pessoas conhecem as coisas boas presentes nesse bairro. A maioria das vezes que ele ocupa o noticiário da TV ou outros espaços da mídia, os temas não variam muito: violência, pobreza e falta de infra-estrutura.
Quem é morador do local há mais de 20 anos, percebe o quanto a qualidade de vida no local evoluiu. Basta chegar na altura do número 8500 da Avenida Sapopemba – a terceira maior do mundo em extensão – para descobrir que isso é realidade. Para os vizinhos da Zona Leste de São Paulo, ela é conhecida como uma região excelente para compras e visitação religiosa.
O local, povoado em sua maioria por imigrantes italianos e portugueses, tem na igreja matriz uma homenagem à Nossa Senhora do Rosário, muito aclamada em Portugal. Possui uma imagem da Santa do Rosário, padroeira de nossos descobridores, vinda para cá em 1921. Sua arquitetura possui vitrais belíssimos e a nave azul da igreja pode ser vista à longa distância na Zona Leste. Seu ossário, ambiente de paz e calma durante todo o dia, possui uma capela pequena e aconchegante. É um refúgio ao corre-corre da avenida central.
A tradicional festa de Nossa Senhora do Rosário, completa seus 77 anos em 2006 e acontece durante todos os finais de semana de maio. A comunidade local prestigia o evento, que já foi maior, mas que ainda hoje é motivo de mobilização de todo o bairro. Não há quem não traga na memória boas recordações da festividade nos anos 70, 80 e 90, quando as caravanas marcavam presença na comemoração.
O mercado municipal Antonio Gomes fica próximo à paróquia. É uma construção recente, de 1992, mas seu estacionamento abriga um patrimônio natural: uma árvore da espécie Sapopema, uma das origens do nome do bairro. Oferece o típico pastel de feira e outros produtos alimentícios.
O principal atrativo cultural é a escola de samba Combinados de Sapopemba. Fundada em 12 de Dezembro de 1984, desfila pelo grupo de acesso do carnaval paulistano. Homenageando Inesita Barroso, integrante da ala de compositores desde então, a Combinados foi campeã pela primeira vez em 1992. De lá pra cá, muitos artistas passaram por seus desfiles como Jair Rodrigues, Maurício de Souza, Tonico e Tinoco e muitos outros. Os ensaios podem ser conferidos a partir de novembro, na sua própria quadra.
O acesso ao bairro é facílimo: o começo da grande e famosa avenida se dá na Salim Farah Maluf, um braço de acesso à Marginal do rio Tietê. Vale a pena esticar e conhecer a cara da periferia, com muita história pra contar. Uma avenida vasta e viva.